<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711</id><updated>2012-02-01T08:14:29.887-02:00</updated><title type='text'>sobre nuances</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>69</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-881513354639980271</id><published>2010-06-24T18:50:00.002-03:00</published><updated>2010-06-24T18:55:50.161-03:00</updated><title type='text'>Estado de frio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pelas bandas do sul, frio é quase redundância. Não se trata de verbo de estado, mas de permanência. Em Porto Alegre, não faz frio. É questão de clima no sentido conotativo. É-se frio. O calor de janeiro não é suficiente para aquecer o trato. As roupas de junho convêm como proteção do espírito descontente, como pretexto para os olhos de poucas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o ano inteiro, não há muitos que olhem noutros olhos e se bendigam com sorrisos simpáticos. Nos corredores de rotina, fito aqueles que conheço. Mas é quase ingrata a tentativa de travar aquelas conversas rápidas, de perguntas óbvias e respostas esperadas, com gente ignota. “Oi, tudo bom?”. “Tudo bom”. É simples. É ridículo. É, usualmente, sincero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem justifique a secura do porto-alegrense na pouca brasilidade, nesse jeitinho germânico de ser. Nessas horas, não há italianos e espanhóis na composição étnica. Estamos talvez mais para portugueses ilhados em Açores. O homem aqui é uma ilha. E os sinos, indiferentes a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também quem faça atribuições à herança da grossura pampeana. Seja como for, sigo a chamar de frieza, de maneira bem global, injustificável mesmo em cidade capital. No provincianismo, afinal, deveria ser costume, senão obrigação, sacar o chapéu – ou os óculos, em tempos modernos – para ser cortês e amigável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente, a cordialidade aprendi num país que, dizem, a guerra é constante. Fora das montanhas e da selva, no entanto, colombianos travam luta de palavras. Pacíficas. Fixam o olhar a qualquer transeunte, em “pueblos” ou na catastrófica Bogotá. Nos ônibus que, pelo módico tamanho transmitem alguma familiaridade, todos são saudados pelos novos rostos que adentram. O veículo lotado (ao contrário do humor desajustado de um passageiro porto-alegrense), é um convite à solidariedade. “Él tiene que bajar” é transmitido como telefone sem fio até que o mais ao fundo possa chegar à porta. Isso tudo numa cidade que enfrenta o frio em 12 meses ao ano. Encarar o minuano durante somente quatro, portanto, é desculpa barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corra-se em defesa de que falo de simpatia falsa, de sorrisos irônicos. Defendam que Porto Alegre é uma metrópole de irreconhecíveis milhões de rostos – ainda que não cheguem a dois milhões. Eu vos rebaterei com o argumento lógico de que sorrir, assim como quem não quer nada a qualquer um, não é só um prazer inócuo e inconsequente. Trata-se de liberar endorfina e serotonina ao cérebro. Isso significa, resumida e amigavelmente, liberar felicidade. A si mesmos, sejamos egoístas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoemos os provincianos que não sabiam dessa comprovação científica. Ainda que mesmo os neurologistas porto-alegrenses talvez também desentendam sorrisos. Quem sabe nos falte essa simpatia despretensiosa, que os menos informados (ou mais infelizes) arriscam ser loucura. Acontece que essa gente vive longe da linha do Equador. Na instabilidade atmosférica, parecem preferir a estabilidade – ou morosidade? – do clima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-881513354639980271?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/881513354639980271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=881513354639980271&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/881513354639980271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/881513354639980271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2010/06/estado-de-frio.html' title='Estado de frio'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4421126150469853611</id><published>2009-11-17T14:34:00.011-02:00</published><updated>2009-11-17T14:45:08.876-02:00</updated><title type='text'>Chanel não aprovaria</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O grito de liberdade sufocado pelos Bandeirantes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A universidade não tem católica no nome. Tampouco é protestante, muçulmana ou militar. Não tem regras eclesiásticas do vestir, nem obriga à burca. Tem sim o nome dos corajosos homens das odisséias pelo ouro. Homens da liberdade e da descoberta. Mas ainda homens. Está bem que, mesmo que fossem mulheres, não buscariam o ouro em saias. Mas é provável que não proibissem o uso delas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Geisy, única bandeirante de saias, poderia não ter exagerado tanto no grito feminista e rosa choque de liberdade. Porém, ainda assim, estava no século 21. A universitária desfilou provocante com o seu um palmo de tecido, explorando o único ouro herdado dos bandeirantes: a universidade. Loira, rosa, provocante, como um brado retumbante de mulher moderna. Caminhou como num desfile de Chanel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Coco Chanel não aprovaria o vestido rosa choque de mau gosto. Mas aprovaria o grito. Porque Gabrielle Chanel também teria que fugir com seus sapatos bico fino pelos corredores da universidade. Nem no século da estilista, no entanto, os quadrados homens de gravata reagiram com tal desdém ao comportamento feminino. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parecia desgosto. Correu-se atrás. Não como admiradores ou famintos libidinosos. Correu-se. Perseguiu-se com a fúria dos descontentes. Com a ira dos ortodoxos fervorosos. Numa época em que já não há inquisição, e tampouco se tem medo de bruxaria, só restou pensar que os homens dos anos de Gabrielle sim gostavam de mulher. Os de agora, se pode duvidar. Não suportam ver as bonitas pernas como a ascensão do sensual poder feminino. Estremecem as próprias pernas, mas não de excitação. Renascidos das cinzas, os bandeirantes voltaram mais machistas do que nunca. A lei é a mesma: explorar e arruinar por onde passem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chanel desaprovaria a atitude reacionária, o grito de liberdade sufocado novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;*texto produzido para rádio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4421126150469853611?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4421126150469853611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4421126150469853611&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4421126150469853611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4421126150469853611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2009/11/chanel-nao-aprovaria.html' title='Chanel não aprovaria'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2882491756732708495</id><published>2009-08-13T11:31:00.005-03:00</published><updated>2009-08-13T12:14:17.037-03:00</updated><title type='text'>Desassossego</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes penso que é tudo enganação, delírio de quem vive num corpo e não sabe mais que suposições do corpo alheio. Penso de canto que pode ser a realidade de Borges ou Eco, onde as horas  e as coisas talvez não sejam mais que sonhos, onde o tempo é cíclico e a realidade não é mais que ilusão. Fugazes coisas de uma existência não real, que correm o risco de já não estarem aqui quando eu voltar, ou quando abrir de novo a janela de onde vejo. Pode ser que eu já não estivesse aqui, e essa fosse a verdadeira enganação do mundo. Mas, cartesianamente, se penso estou aqui, e então a realidade existe para mim, ainda que com lapsos de desconfiança entrecortados entre uma cena e outra. Se racionalizo e vejo que se tudo sempre existiu, que meu tempo não é mais que sobreposto sobre o tempo alheio, talvez eu não seja a única enganada nessa história. E então me toma de salto o conformismo, e a idéia de adaptação à falsa verdade parece me atrair. Porque, ao fim, importa sim o mistério das coisas. Pois que seria da vida sem o experimento sem resultado do mistério da vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aí então me acomodo, e me conformo com o inquietante silêncio ruidoso dessa tal verdade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2882491756732708495?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2882491756732708495/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2882491756732708495&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2882491756732708495'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2882491756732708495'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2009/08/conforme.html' title='Desassossego'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3843351668883396962</id><published>2009-05-19T17:16:00.003-03:00</published><updated>2009-05-23T23:27:35.501-03:00</updated><title type='text'>Buenos Aires, 2 de abril de 2009.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aprendi a ignorar o tempo.&lt;br /&gt;Desconheço se, nesse ou noutro espaço de vida, o ar que me entra será impuro e insuficiente. Importa-me agora (e não me importava ontem) que eu jamais tenha respirado com tanta tranqüilidade, ao passo que me afogo num brusco vendaval. Que cada pedacinho dos ares de outono – porque ares de outono tem essa leveza nostálgica – siga recorrendo essa matéria e alimentando esse espírito. Espírito que, graças ao ignorado tempo, sabe que deve submergir, vencendo a mão que lhe mantém sob a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi a ignorar a distância.&lt;br /&gt;Não sei se vou estar longe ou perto. Mas já sou indiferente. Corri o mundo sem sair daqui e já sai daqui para o mundo, e não posso dizer qual experiência me doeu mais de prazer. Viajei horas por ideais e por sentimentos, e me dei conta que é bom estar lá, mas que estar cá nem sempre muda ideais e sentimentos. Só a alma deve estar onde eu queira, porque aprendi a ignorar esse materialismo estático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante e nesse lugar, onde e quando esteja, saberei ignorar o futuro e o espaço que me separam da vontade. Lembrar-me-ei que tempo e distância são irrelevantes. E que só sei de amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3843351668883396962?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3843351668883396962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3843351668883396962&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3843351668883396962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3843351668883396962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2009/05/buenos-aires-2-de-abril-de-2009.html' title='Buenos Aires, 2 de abril de 2009.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6785758299404900071</id><published>2008-12-29T21:36:00.003-02:00</published><updated>2008-12-30T00:49:18.302-02:00</updated><title type='text'>aPorto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, de repente, bateu a saudade do meu porto, de onde a âncora frágil se soltou. Onde deixei abertos os olhos e os braços também meus. Senti o barco balançar mais forte no mar de escolhas, mesmo que ainda não haja o que seria tormenta. No caminho de volta, não mais que o tempo de reabastecer nesse único Porto seguro e Alegre meu. E voltar a navegar em sentido e sentindo incerto. Até que no depósito reste não mais que a saudade. E um dia volte a aportar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6785758299404900071?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6785758299404900071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6785758299404900071&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6785758299404900071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6785758299404900071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/12/aporto.html' title='aPorto'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4335444312467886999</id><published>2008-12-21T12:18:00.002-02:00</published><updated>2011-06-12T23:12:36.576-03:00</updated><title type='text'>Relativo Só</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela primeira vez sozinha, olhei para o céu. Caminhei duro, deitei macio no verde, e descansei os olhos na rede gris de nuvens que tapava o calor dos dias. Pensei com gosto, senti com calma. Apreciei o impensável e inócuo prazer do fazer nada. Tudo fiz comigo mesma com deleite infantil. Pela primeira vez em longo percurso de vida num só em estado relativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava numa solidão de corpo que faz bem, da carcaça que abriga a alma segura de não estar só. Porque só pode soar melhor acompanhado de quem está lá ou em qualquer outro lugar, mas também soa bem sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol apareceu por uns minutos para recordar-me que as coisas mudam, que o tempo passa, que por vezes se está só e por outras em companhia. Que ali, em minutos, seria noite. E que algumas horas trariam o dia de novo. E que alguns meses trariam o dia de novo, mesmo que o agora não fosse noite, e tampouco desse sinais de sê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei só naquele dia sob o cinza da cidade grande. E me sentia grande, ainda que a grandeza me quisesse intimidar. Sorri o sorriso de quem o faz simplesmente por poder fazê-lo. Poderia rir com gosto, mas tive medo de espantar a tranquilidade que esteriotipa a solidão. Então ri baixinho. Só ri. Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só. Em estado de solidão. Em estado de felicidade. E só. Nesse momento, nada podia soar melhor à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; observação: estranha sensação de que a alma é quem sente o alívio quando os dedos perdem a ferrugem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4335444312467886999?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4335444312467886999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4335444312467886999&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4335444312467886999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4335444312467886999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/12/relativo-s.html' title='Relativo Só'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3088842392446473970</id><published>2008-11-28T17:44:00.005-02:00</published><updated>2008-12-08T14:17:17.262-02:00</updated><title type='text'>As reticências foram abertas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo não poderia terminar amanhã. Tolice pensar que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, se o mundo terminasse amanhã, não haveria tempo para tirar da idéia a boa teoria dos poucos dias. Tudo que faria meu mundo ter mais sentido, e permitiria que ele amanhã terminasse. Num mudar de lua – ou simplesmente de rua – uma biografia de fatos ganhou páginas novas. Uma partitura de vida recebeu mais notas. Um depósito profundo de sentimentos foi aberto. E tudo é mais sentido do que jamais foi. De repente, a compreensão do idioma é outro. As palavras antes sem nexo dessa escrita disforme foram traduzidas e, embora devesse ser mais difícil compreendê-las, agora fluem com mais clareza. Com palavras e silêncio, aprendi que nem tudo precisa ser falado, ainda que tudo deva ser dito. Que tudo deve ser escutado, mais que ouvido. Que tudo muda quando se compreende tanto o calar como a canção. Onde antes era um só ponto, agora há mais. Agora há um espaço branco-colorido a ser preenchido com vida. E o que era um ensaio já é uma obra, com enredo em processo evolutivo. Ainda que fora do papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma perda, eu sei, se o mundo terminasse amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3088842392446473970?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3088842392446473970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3088842392446473970&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3088842392446473970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3088842392446473970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/11/as-reticncias-foram-abertas.html' title='As reticências foram abertas'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-8317923973365685608</id><published>2008-11-14T14:12:00.000-02:00</published><updated>2008-11-14T14:12:35.625-02:00</updated><title type='text'>Paixão sobre Paixão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Minha paixão é essas linhas que escrevo. E a vantagem dessa minha paixão é poder traduzir a paixão alheia. Nada melhor. Por isso, tomei de pronto a primeira oportunidade para escrever sobre o tango do ponto de vista de uma apaixonada por uma das maiores paixões argentinas. Entenda-se bem: não apaixonada pelo tango, e sim pela paixão por.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então escrevi essas linhas para a revista da universidade. Em espanhol, claro. Aqui, traduzido para um português talvez um pouco espanholado. As partes em primeira pessoa estavam em nome da revista. Mas, aqui, eu revelo que eu sou eu, já que todos já sabem. Há, ainda, um segundo texto, mais técnico e chato. Mas resolvi escrever, aqui, só o essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero despertar o mesmo que sinto nos sentidos alheios.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Três minutos de paixão mundial&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Argentina e Uruguai buscam o reconhecimento do tango pela UNESCO. Enquanto isso, milongueiros que não falam espanhol viajam muitas horas por poucos momentos com a dança. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido como a denúncia social de uma época, o tango volta, depois de mais de um século de sua criação, a ser símbolo de expressão contestatária. Nos anos 40 a classe tangueira dos subúrbios de Buenos Aires brigava por fazer da sua arte reconhecida e agora, em 2008, Argentina e Uruguai deixam de lado divergências sobre suas origens e se unem para dar à dança um futuro de reconhecimento mundial. Porém, já não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma prova da força do tango em todo o mundo, além de qualquer título dado por órgãos mundiais, são os “milongueiros residentes em outros países”, estrangeiros que freqüentam cada dia mais o circuito de milongas da capital argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Milonga: um só idioma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui às milongas portenhas certa de encontrar a sensual dança praticada por seus tradicionais bailarinos: os argentinos. Na Confitería&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Ideal&lt;/span&gt;, uma das mais tradicionais da cidade, onde se dança desde a tarde até o final da noite, um cartaz diz: “Hoy milonga. Ya estamos milongueando”. No entanto, o idioma original do tango só é conservado para as boas-vindas. Todos os demais cartazes no lugar são bilingües. “Clases de tango, vals y milonga. English&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;and&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;italian&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;spoken”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta de entrada, não demora que se veja gente enrolando a língua em outros idiomas com uma sacolinha na mão, um sinal de que aí está um tangueiro. Quando não carrega a sacola com os sapatos, o estrangeiro não é nada mais que um turista curioso que vai assistir à dança alheia. A argentina Julia Doynel, que organiza a milonga Sueño&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Porteño, explica: “O que acontece é o tango é uma língua. Na milonga, falamos todos de igual forma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O idioma comum parece muito fácil: o abraço. Todos, argentinos ou estrangeiros, são unânimes em dizer que a essência do tango é esta. Ainda que, nas suas origens, era condenado pela população justamente por este excesso de contato físico, é essa a maior razão pela qual se viaja muitas horas para chegar à capital argentina. Quando lhes pergunto sobre o que pensam do tango que mais atrai os turistas, o “tango de cenário”, visto nas ruas e restaurantes, não há divergências. Todos acham lindo, mas sem a tal essência. Além de que este não podem dançar. Nesse tango ensaiado, o contato físico está em segundo plano. “É o que chamamos tango import-export, e só jovens podem praticá-lo”, diz uma francesa aposentada que dança há 10 anos e fica durante sete meses do ano em Buenos Aires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que seja fácil compreende-lo, a prática do abraço é complexa para qualquer pessoa que a tente. Julia garante que o bom dançarino estrangeiro dança melhor que um argentino, já que estes acreditam que já nascem sabendo e não costumam fazer aulas. Juan Carlos La Falce, que dirige a milonga El&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Nuevo&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Salón&lt;span style="font-style: italic;"&gt; La Argentina&lt;/span&gt; há nove anos, avalia que os franceses e os suíços são os melhores. Mas a francesa aposentada enfatiza que o melhor elogio que já recebeu foi, justamente, quando lhe disseram que dançava como uma argentina. “Quer dizer que tenho a paixão”, conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paixão. É isso que move os milongueiros de qualquer nacionalidade. No salão, onde os casais dançam numa roda que segue o sentido anti-horário, não existe uma velocidade, uma lógica. Cada par dança no ritmo do coração. “O tango se dança como se sente, não existe coreografia”, explica Susana Vidal, argentina que frequenta com o marido, o jornalista Armando Vidal, o salão de La Falce e também da aulas de tango.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei aqueles os quais sei acostumados à dita paixão pela música e pela dança. Nas milongas, os brasileiros parecem tão entregues a esse amor como ao carnaval carioca. “O tango tem mais sensibilidade, já o samba é mais ritmo e improviso. Além disso, a comunicação entre duas pessoas é única do tango”, confessa Arlene Pinheiro, dona de uma escola de dança em Belo Horizonte, no Brasil. A amiga que a acompanhava na milonga, a terapeuta Sonia Falco, diz com conhecimento: “o tango é uma verdadeira terapia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja na improvisação ou na cuidadosamente ensaiada coreografia, cada casal cria seu próprio código de comunicação. Rocky, que quase não fala espanhol, mas compreende bem a linguagem de uma milonga, não conta o nome verdadeiro e a idade. Na milonga El&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Nuevo&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Salón&lt;span style="font-style: italic;"&gt; La Argentina&lt;/span&gt;, somente se sabe que o louro misterioso de meia idade é americano. Se apaixonou pelo tango há cerca de quatro anos e, desde então, sempre que pode foge da cultura do masculina do futebol americano e do basquete. Prefere dançar a ficar olhando um tango show, que é, para ele, uma fantasia. “E a mulher fica longe, o que não me parece nada bom”, revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra crítica de quem vive o tradicional tango é que o “de cenário” se entregou à alegria. O “tango al piso”, como é chamada a dança das milongas, conserva a tristeza, ainda que o clima nesses lugares pareça muito bom. “Buenas&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;energías”, é o que todos respondem. Por isso, por mais que os pontos turísticos portenhos, que atraem diariamente centenas de turistas, ofereçam boas vistas, é aqui que muita gente quer ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso da suíça Monica Ferster, que aprendeu tango há dez anos no seu país. A intimidade com a dança já é tanta que não parece a primeira vez que vem a Buenos Aires. Veio para dançar e não conhece mais nada da cidade além das milongas, como a da tradicional Confitería&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Ideal&lt;/span&gt;, onde fala muito rápido comigo porque logo tem um compromisso muito importante: outra milonga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O tango é três minutos de paixão”, é a explicação de Carlos La Falce para as tantas visitas apaixonadas que recebe de estrangeiros em seu estabelecimento. Minutos nos quais se fecham os olhos, se abraça e se sente o outro. “Não, isso não existe no tango de cenário”, protesta o defensor de que esta arte seja multiétnica, mas que não acredita que o reconhecimento da ONU mudará o status das milongas, e sim somente o lado turístico da dança. No entanto, quem como ele soma diariamente esses três minutos, sabe que de nada mais precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-8317923973365685608?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/8317923973365685608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=8317923973365685608&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8317923973365685608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8317923973365685608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/11/paixo-sobre-paixo.html' title='Paixão sobre Paixão'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-143752088351657153</id><published>2008-11-01T21:18:00.003-02:00</published><updated>2008-11-01T21:29:09.083-02:00</updated><title type='text'>Mudei.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, com ponto final. Não que não mereça reticências. Porque é sempre bom deixar em aberto quando se trata de mudanças. Mas, por enquanto, é mudei e ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei não porque quis. Tenho certa dificuldade em tomar decisões. Mudei porque me empurraram para fora, pela porta da frente, e disseram: vai! E eu fui. Meio contrariada, em princípio, eu fui só porque tinha que ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos, as idéias amadureceram e, como tal, mudaram de cor. Pareceu-me boa a idéia de viver outros ares, a de ser noutro lugar.  A mudança, então, tornou-se dúbia. Triste - muito triste - mas feliz. Se é que isso se entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de três meses dividindo caras amassadas pela manhã, compartilhando manias e aprendendo soluções, mudei para começar de novo. Outra vida, embora eu só esteja a dois bairros de distância. E a mudança tenha custado quinze pesos, algumas horas de arrumação e poucas lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei. Agora sou mais típica e mais próxima. E, quem sabe, isso abra espaço a reticências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-143752088351657153?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/143752088351657153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=143752088351657153&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/143752088351657153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/143752088351657153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/11/mudei.html' title='Mudei.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-8708073068025085600</id><published>2008-10-29T19:01:00.016-02:00</published><updated>2008-10-29T19:52:48.687-02:00</updated><title type='text'>Deliciosos Retratos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Adoro os cafés. E, de fato, não há algo em maior quantidade nessa cidade (finjamos, agora, que não há lixo nas calçadas). Não os cafés de beber, mas os de estar e de ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me em um, no qual descobri dois grandes prazeres. O primeiro, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;paezinhos&lt;/span&gt; de espinafre (aqui, consideremos os prazeres de uma vegetariana). O segundo, uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;vitrine&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em frente a uma grande janela eu olho para a rua. Seguindo a lógica da perspectiva, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;objeto&lt;/span&gt; em exposição seria eu. Mas não. São eles. Porque eu observo. Eles são só eles caminhando na calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam muitos perfis e alguns rostos de frente (e pensemos que eles seguem a lógica do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;objeto&lt;/span&gt; em exposição).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa um alemão que guarda a mão no bolso peitoral. Passa uma brasileira que fala sozinha ou talvez cante uma canção. Passa um gordo que bebe numa garrafa inversamente proporcional a si. Passa, passa, passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o tempo, passam rápido e não me dão tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jovens de branco com pinta de medicina. Um senhor de branco pintado de tinta. Passam tortos e direitos (porque os vejo de lado). Passam ritmos silenciosos e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;silêncios&lt;/span&gt; misteriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;brabos&lt;/span&gt;, alegres, apáticos. Curiosos da minha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;vitrine&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos sonorizados pela música e pelas vozes daqui de dentro. E deliciados como café. Ou, melhor, como pães de espinafre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-8708073068025085600?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/8708073068025085600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=8708073068025085600&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8708073068025085600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8708073068025085600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/10/deliciosos-retratos.html' title='Deliciosos Retratos'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5437950944835512275</id><published>2008-10-19T13:03:00.001-02:00</published><updated>2008-10-19T13:05:22.837-02:00</updated><title type='text'>Embaixadoras</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tenemos un mundo.&lt;/span&gt; Eu diria a elas. Embora elas já saibam, e eu não precisasse dizer. Mas seria bom dizer-lhes que sim, que somos um mundo. E eu diria em espanhol porque, já que o somos, cada uma fala seu idioma. Em muitos sentidos. O que nos une é a tentativa e o interesse. A tentativa de falar. O interesse em ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos mexicanas, canadenses, alemãs. Somos três vezes brasileiras. Falamos francês, alemão, português. A unidade espanhol e o salvador inglês. Falamos o que em qualquer país não seria entendido. O que, após três meses, só aqui se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos porque somos. Agora somos todas tudo. E nós, quando tudo aqui cessar, continuaremos multiétnicas. E poliglotas. Sentiremos falta da guacamole como nosso prato típico. Sentirão falta da feijoada. Sentiremos saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos mais diferenças que uma língua e uma cultura. Temos mais semelhanças que a busca incansável que nos uniu aqui. Temos, talvez, um sonho insano para um futuro incerto. E, algumas, uma carta na manga para realizá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu diria, por enquanto, que o que temos já é o bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, em qualquer lugar onde estivéssemos, eu diria o mesmo a elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5437950944835512275?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5437950944835512275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5437950944835512275&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5437950944835512275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5437950944835512275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/10/embaixadoras.html' title='Embaixadoras'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-645364449645884483</id><published>2008-10-05T20:04:00.012-03:00</published><updated>2008-10-06T15:36:59.099-03:00</updated><title type='text'>Sonidos Subterráneos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;biiip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;biiip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;catracas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; rodam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;incansáveis&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e os corpos correm incontroláveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de corpos. Milhares de pés. Milhares de mãos que passam os cartões de acesso ao mundo subterrâneo da cidade. Milhares de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;bip&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares de sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As linhas de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;metrô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; da cidade, que na &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;literalidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; argentina é chamado &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Subte&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, são a reprodução subterrânea da cidade dos contrastes de cores, de gente, de poesia. De barulho. Dos sons fugazes das bocas, dos gritos que tentam superar o som &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;esgaçante&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; dos trilhos do trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as linhas coloridas de letras do alfabeto também escrevem composições com mais musicalidade. O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;subte&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; tem trilha sonora. Os túneis são roteiros &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;abstratos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; sonorizados por música clássica, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;rap&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, andina. Qualquer ritmo em versão argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos corredores que ligam estações, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;fones&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; saem das orelhas para ouvir a milésima sinfonia do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;subte&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Mais que o respeito, como um chapéu que sai da cabeça, é a admiração a quem dá vida às passagens frias e segundos de sensibilidade aos ouvidos apressados. Os vinte e poucos anos de homens e mulheres carregam violinos, violões e rostos de prazer, embora o palco seja baixo e escuro; o público e o salário, incertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os corpos, quando novamente irracionais – ou racionais? – se esmagam para encontrar vago o assento onde farão viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do vagão, violão e voz desafinados incomodam e aconchegam. Distraem a monotonia. Para as vidas desafinadas, qualquer nota no compasso certo é boa melodia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa estação, o trem pára e fica. Aguarda mais tempo que o combinado, aproveitando a música que silencia o lugar. Um careca toca guitarra e canta “Stand &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;by&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Me”, enquanto os olhos esperam, esquecidos da pressa. Dentro e fora do trem, há um público fiel nos poucos segundos dessa união de interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alarme soa alto e apressa quem sobrou. As portas prestes a fechar desesperam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pé da escada, como recepção a quem chega, “More &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;than&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Words&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;” traduz o que ele sente. Assim como os demais que vivem para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;musicalizar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; a vida passageira, é mais que palavras que o jovem atirado com o violão quer dizer. Está ali, assim como tantos, com uma tarefa difícil em meio ao caos sonoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali, a tarefa é mais que o cantar. É o encantar das vidas monótonas, o sensibilizar das vidas mecânicas. Das máquinas que vão e vêm nos imutáveis trilhos do trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;subte&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;portenho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; é infinita fonte de observação e inspiração. Logo, promete ser assunto constante para divagação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-645364449645884483?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/645364449645884483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=645364449645884483&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/645364449645884483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/645364449645884483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/10/sonidos-subterrneos.html' title='Sonidos Subterráneos'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-8490131701145639600</id><published>2008-09-23T12:19:00.011-03:00</published><updated>2008-09-23T14:51:23.743-03:00</updated><title type='text'>Contos de Primavera</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há alguns anos, quando eu não imaginava que existia algo além de uma terra longínqua chamada Porto Alegre, eu acreditava que flores caiam do céu. Assim mesmo. Flores pequeninas, bonitas como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;gérberas&lt;/span&gt; e rosas,&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;/span&gt; caíam girando como uma roda de carroça a partir do dia 21 de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;setembro&lt;/span&gt;. Vinha daí meu encanto pela primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me perguntassem minha estação preferida, eu não balbuciava. Não pensava nos ventos fortes, na chuva, no resquícios de frio dos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;setembros&lt;/span&gt;. Só pensava nas flores que cairiam sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que, por tanto tempo, em acreditei nisso. Afinal, ano após ano, setembro após setembro, via tantas flores como neve caírem na minha cabeça naquele país tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quiçá uma analogia inconsciente ao despertar da vida, à renovação dos ares. Quiçá inocência. Qualquer hipótese que fosse, a perdi. Mas não quando percebi que as flores não caiam, e sim quando descobri em quão feia algumas pessoas transformaram minha ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando descobri que existia Buenos Aires, pensei que minhas constatações infantis estavam certas. Aqui, a entrada da primavera coincide com o Dia do Estudante e é uma data celebrada. Era o dia mais esperado por mim desde que cheguei, porque muitos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;bonaerenses&lt;/span&gt; entraram num acordo cruel e me narraram como são lindas as primeiras horas da estação nos parques da cidade. As pessoas dão flores às outras e sorriem. Os estudantes se reúnem e festejam esse dia em que são liberados das aulas. Foi assim que me iludiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato se reúnem. Mas para transformar primavera em inverno (ou inferno). Nos belos bosques de Palermo se vê muita gente, que abre as mãos para soltar lixo, e não para dar flores. Os jovens não sorriem, mas riem. Riem uns dos outros. Gritam. Correm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as flores, definitivamente, não caem do céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primavera aqui é feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tento antecipar a entrada da primavera, ainda carregando minha ilusão, e me sento no Jardim Botânico da cidade, um moço se dirige a mim. Estende na minha frente um longo pedaço de arame e começa a enroscar. Cara de argentino não tem. O arame lhe denuncia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Hola&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Voy&lt;/span&gt; a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;hacerte&lt;/span&gt; una &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;estrella&lt;/span&gt; porque las &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;estrellas&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;tienen&lt;/span&gt; luz &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;propia&lt;/span&gt; — entrega-me o arame que se esforça em parecer uma estrela. — Y &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;ahora&lt;/span&gt; te &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mostro&lt;/span&gt; mi &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;trabajo&lt;/span&gt; y &lt;span style="font-style: italic;"&gt;então&lt;/span&gt; si te &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;gustar&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;alguno&lt;/span&gt; te &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;cuento&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;un&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;cuento&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sotaque e os erros também. Sim, é brasileiro. Brasileiro que enrosca arame, faz-los brincos e vende. Esse, ainda encena e narra um conto se eu comprar sua arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero ouvi-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, ao contrário de antes, é o português que tropeça no espanhol. Estou mais atenta à forma da fala que ao conteúdo. E fala como um brasileiro que entorta arame na beira da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma terra onde duendes e fadas fazem festas nas quais tudo é mais ou menos a trindade sexo, drogas e rock’n’&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;roll&lt;/span&gt;. Então, um urso aparece — porque, afinal, ursos têm relações profundas com fadas – e lhes faz chá de cogumelos. Nessas comemorações não só pela primavera, as fadas se portam muito mal. E, embora isso tudo seja tão metafórico quanto as flores que caem do céu, fez mal às minhas ilusões &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;primaveris&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Agora você tem que me prometer uma coisa — diz o carioca. — que vai se portar muito mal. Mas isso, só se for pra passar bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Óquei&lt;/span&gt;. É melhor concordar antes que meu saco de ilusões se esvazie por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primavera aqui é feia. E desilude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para contrariar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Quintana&lt;/span&gt;, nada disso tem-me causado uma extraordinária sensação de alívio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-8490131701145639600?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/8490131701145639600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=8490131701145639600&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8490131701145639600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8490131701145639600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/09/contos-de-primavera.html' title='Contos de Primavera'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2091712012890164870</id><published>2008-08-30T23:21:00.007-03:00</published><updated>2008-08-30T23:40:49.264-03:00</updated><title type='text'>“Saudade é um clichê”...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... eu disse pro Samir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, me dei conta de que não escrevo porque meus pensamentos são agora clichês. Porque tudo o que penso é saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Samir contestou que não. Que saudade é sentimento. Sentimento clichê, porque todo mundo tem, afinal. Coisa clichê é coisa que todo mundo tem, que todo mundo sente, que todo mundo diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, ao menos falantes losófonos são clichês, os únicos que sentem saudade nessa superfície tão grande e tão propensa ao sentimento. Os outros sentem falta, eu disse. O que nem de perto é o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E tu, sente o quê?”. Eu sinto saudade. Saudade grande, daquela bem brasileira. Porque, embora eu já confunda um pouco as língua ibéricas, em espanhol palavra nenhuma consegue traduzir o que sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, sim. Pra que tudo faça sentido, esse texto é clichê. Afinal, eu sinto saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... e foi assim:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;só penso clichês ultimamente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;q coisa horrível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;o q eu faço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;ai luana, tbm não há drama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;a vida nao deixa de ser um grande clichê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;não é drama&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;é q to pensando em como começar a matéria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;só penso clichês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;não atualizo o blog pq só penso clichês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;acho q é a saudade d casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;saudade é clichê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;ahahaha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;saudade é sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;sentimento clichê&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;pq todo mundo tem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;e isso dá texto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;mas só brasileiro sabe falar direito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;só brasileiro sente saudade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;ohhh&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;q amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;é... falta e saudade não é a mesma coisa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;nao mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Samir diz:&lt;br /&gt;tu sente o que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;saudade, ué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;sou brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luana diz:&lt;br /&gt;embora já confunda um pouco o português com o espanhol&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2091712012890164870?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2091712012890164870/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2091712012890164870&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2091712012890164870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2091712012890164870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title='“Saudade é um clichê”...'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6214617977136075006</id><published>2008-08-05T16:34:00.007-03:00</published><updated>2008-08-05T17:15:00.075-03:00</updated><title type='text'>Amanhecendo em Buenos Aires</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sol apareceu, embora eu só o tenha visto horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desembarco na rua pela porta bordô da Calle Constitución, os pés parecem tocar num oceano gélido e o corpo adentra aquilo que se sabe ser dia, mas que ainda não amanheceu. São sete da manhã. E me vou melancólida, fria e com frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando enfim amanheceu, e meu corpo estava dentro de salas aquecidas artificialmente da Universidade, o sol pôs-se lá fora. Descobri que não era forte concorrente ao frio do inverno, mas, embora não aquecesse tanto o corpo, esquentou surpreendentemente a alma. Porque o sol tem dessas coisas, me parece. Um incrível sei-lá-o-quê que merece odes e devoções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante, pelo menos, 16 dias, o sol deve ter somado não mais que ligeiras horas de exibição. E eu, contrariando a lógica de quem faz as escolhas que fiz, somei não mais que alguns poucos minutos de exaltação. Aquela vontade talvez se tenha misturado à saudade e ao medo e me senti, por 16 dias, um dia fechado. Sem sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando senti sob o pé a superfície mais quente e o dia passou a ser, enfim, dia, comecei a recuperar o fôlego. Começar já é um bom começo, afinal. A respiração se aquietou enquanto o corpo fez o exato inverso, embora eu tenha demorado a perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relógio biológico desajustado me fez ficar em casa no primeiro sol da minha nova vida. Mas aqui dentro está tudo bem. Tenho sol na minha janela e parece estar tudo mais claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6214617977136075006?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6214617977136075006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6214617977136075006&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6214617977136075006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6214617977136075006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/08/amanhecendo-em-buenos-aires.html' title='Amanhecendo em Buenos Aires'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2766781388219311327</id><published>2008-07-25T00:06:00.002-03:00</published><updated>2008-07-25T00:25:12.023-03:00</updated><title type='text'>Pequeno Tributo à Esperança</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje o dia nasceu mais triste pra mim. Peço desculpas àqueles que há tempos me pedem novos escritos e esperam notícias de uma aventura em terras portenhas. Mas eu hoje acordei triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há anos quase incontáveis, quando Buenos Aires sequer pensava em acolher-me, nasceu Esperança. Com ela, também nasceram admiradores. Novas vidas que brotaram a partir de novos pensamentos. Uma perfeita mistura de idéias revolucionárias e sentimentos conservadores. Porque Esperança era, até a manhã de hoje, sinônimo de vanguarda, de alegria e de brilhantismo. Quem conheceu Esperança Keil Fuentefria, há-de sempre recordar qualidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo com as adversidades da vida – que lhe foram muitas – não perdeu a alegria e a claridade da mente. Até a última semana de vida (quando a vi pela última vez) bem sabia o que queria e o que dizia, embora estivesse com o corpo magro ainda mais magro, e os olhos claros talvez mais cansados de viver. Não gostava de “gente velha”, e talvez isso lhe tenha salvado de envelhecer. Porque Esperança nunca foi velha, a despeito de seus cem anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu dia amanheceu triste porque descobri que não mais a farei feliz com o cartão postal que lhe enviaria, para lembrar-lhe das ruas portenhas de que tanto gostava. Fiquei triste porque não ouvirei suas incansáveis histórias e seus agradecimentos quase chorosos às visitas que recebia. Chorei por descobrir, assim por um baque, que as coisas boas não são eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, fiquei feliz porque sei que ela se foi feliz, embora o que é Esperança tenha ficado e ficará sempre entre os que um dia a conheceram. Pois, como disse minha mãe para me consolar (já que não podia me abraçar), “ela cumpriu muito bem a sua missão e deixou em nós uma parte muito boa dela”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperança. Hoje, nos dias em que essa palavra me é cada vez mais presente, sinto que não a perdi. Continuo a acreditar que é a última que se vai, embora ainda creia que seu corpo deveria ser imortal, que suas palavras deveriam ser eternamente ouvidas, que a Esperança centenária, assim como o sentimento homônimo, não deveria ter fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, só o que posso dizer aos amigos que esperam por notícias minhas é: nessa hora, eu queria estar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2766781388219311327?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2766781388219311327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2766781388219311327&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2766781388219311327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2766781388219311327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/07/tributo-esperana.html' title='Pequeno Tributo à Esperança'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-7862861605760910578</id><published>2008-06-24T10:30:00.004-03:00</published><updated>2008-06-27T14:19:30.893-03:00</updated><title type='text'>O homem de muitas vidas</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;font size="2"&gt;Como o Felipe Montero, que somente procurava por um emprego, acabou por fazer uma regressão involuntária à vida passada&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font style="FONT-STYLE: italic"&gt;O jovem historiador espalhava sua doutrina de antropólogo cético quando caiu-lhe por terra todas as suas crenças. Porque Felipe Montero, o mexicano que só queria largar as aulas que lecionava e se dedicar aos próprios escritos, deparou com seus escritos de outra vida. E que ele sequer conhecia. Do ceticismo a qualquer coisa que estrapole as barreiras humanas, depois de passar três dias no casarão da rua Donceles, Montero é agora a mais crente das criaturas. Crê em Deus, em espíritos e, sobretudo, em velhas senhoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;Eram dez horas da manhã quando Montero se colocou em frente ao número 815 da Rua Donceles, no centro da Cidade do México; ali, onde pouco há além de palácios coloniais convertidos em oficinas, relojoarias, lojas de sapatos e lancherias. Prostrou-se ante o velho casarão por um anúncio de emprego, que lhe renderia quatro mil pesos mensais e um quarto cômodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felipe Montero, embora fosse apenas um professor substituto em escolas particulares, foi bolsista na Universidade de Sorbonne, na França. Conta que leu o anúncio num jornal e, se não fosse cético naquela época, acreditaria — como hoje acredita — que fora tudo culpa do destino. Que aquele periódico lhe caíra nas mãos não por acaso, assim como não por acaso tudo sucedeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheceu Dona Consuelo, uma velha senhora de idade inexata — e cuja existência alguns vizinhos também desconheciam até a misteriosa história protagonizada pelo jovem historiador vir à tona. Ele descreve a todos que o rodeiam aquela que, pelas suas contas, já passara do centésimo aniversário: “um corpo raquítico e um cabelo muito branco que escondiam-se entre as cobertas”. Foi assim que a viu pela primeira vez naquela manhã em que resolveu ir em busca do emprego e assim a veria durante três dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montero garante que foram mais que suas qualidades profissionais que impressionaram a anfitriã. Demorou a descobrir, no entanto, que segredo guardava aquela contratação inesperada que lhe exigia que permanecesse no casarão enquanto traduzia antigos escritos em francês. Dona Consuelo queria que a obra do marido, morto havia sessenta anos, fosse acabada e publicada como uma biografia póstuma, e assim o fez o mexicano acostumado a exumar papéis amarelados pelo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais voltou para casa. Somente saiu do casarão na quinta-feira que se passou. Confessa que, a princípio, lhe assustavam os ares abatidos do lugar. Demorou a se habituar à falta de luz, às portas de via-vém em todos os cômodos e aos rins ao molho que lhe serviam nas refeições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estudava o francês um tanto deficiente do general Llorente, Montero conviveu com Consuelo, a quem só via enterrada sobre as cobertas, e a sobrinha, cuja existência ninguém jamais teve conhecimento, exceto ele. “Chamava-se Aura e contava vinte e poucos anos. Linda e sempre de verde. Mas tinha a impressão de que em tudo era muito parecida com a tia, até mesmo nos movimentos”, declara o jovem, que desacreditava também no amor até conhecer as duas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele conta que Aura, assim como ele próprio, nunca saía de casa e obedecia incondicionalmente a tia. Somente o que a senhora lhe dissesse e fizesse parecia permitido à jovem. E, assim como ela, Montero decidiu-se por suportar, calado, as manias da decana, que não dispunha de outro assunto que não fosse o marido morto. Mesmo quando passaram a se relacionar amorosamente, por mais que Montero insistisse, a moça não aceitava fugir com ele. “Dizia não poder. Hoje, entendo que foi melhor assim”, desabafa Montero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra do general Llorente a princípio não lhe revelara nenhuma novidade. Tratava de suas expedições, viagens pelo mundo, nada que já não pertencesse ao vasto universo de conhecimento do historiador. Nos últimos cadernos, no entanto, os escritos lhe revelaram excentricidades da esposa, como as ervas medicinais que cultivava no diminuto pátio sombrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém o jovem historiador precisou tão somente de uma imagem para ter suas crenças e costumes transformados para sempre. Apenas uma fotografia, onde viu retratados, em áureos tempos, a jovem Consuelo Llorente e... ele, Felipe Montero. Ali, onde deveria estar ele, o general. Mas, afinal, quem era quem? “Afinal, somos o mesmo”, desvenda Montero, a quem agora chamam louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhava as fotografias, lembrou-se dos gestos de Aura — sempre tão iguais aos da tia —, da submissão de Aura e das noites em que Aura lhe sussurrara na cama: “você é meu marido”. Aura, Aura, Aura. Sentiu o coração pulsar-lhe e o amor pela jovem confundir-se com o amor pela centenária; a adoração pelos textos do general embaraçar-se com a adoração pela própria obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que se recusava a aceitar qualquer crença, o jovem chamaria essa coleção de fatos de coincidência. Agora, não tem mais dúvidas de que a moça de verde nada mais era que o fruto do desejo da senhora Llorente em ter de novo o marido. Ou sua reencarnação, a qual, desde então, Montero contenta-se em ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O historiador, que outrora foi general, continua a escrever sua obra, a qual dará seqüência até a própria morte ou até a última encarnação. A casa úmida, onde pouco se enxerga além do próprio nariz, só foi adentrada por outras pessoas na última quinta-feira, quando Consuelo Llorente morreu. Foi quando, também pela primeira vez, a vizinhança da Rua Donceles viu as rugas centenárias da decana. Os comerciantes e os poucos frequentadores das lojas da região viram Montero chorar a morte da mullher que fora sua esposa. E nunca mais se soube de Aura. Somente foram encontradas, no pátio, as ervas medicinais bem conservadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font size="2"&gt;* uma tentativa de transformar em &lt;font style="FONT-STYLE: italic"&gt;new journalism&lt;/font&gt; o livro &lt;font style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Aura&lt;/font&gt;, de Carlos Fuentes (que eu recomento... e que &lt;strong&gt;acabei de contar o final&lt;/strong&gt;.)&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-7862861605760910578?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/7862861605760910578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=7862861605760910578&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7862861605760910578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7862861605760910578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/06/o-homem-de-muitas-vidas.html' title='O homem de muitas vidas'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3968762521170983831</id><published>2008-06-07T14:22:00.005-03:00</published><updated>2008-06-08T21:20:54.350-03:00</updated><title type='text'>Severino e os Sapatos *</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Severino contrariava a alcunha que lhe deram. A personalidade parecia abreviada nos olhos cor celeste, dados pela mesma mãe que escolheu chamar-lhe assim. Severino. Severo, lhe diziam. Preferia acreditar que lhe fora dado por razão do peixe homônimo, já que a genitora desconhecida que lhe havia registrado não lhe possibilitaria saber a razão. Nem se herdara os olhos dela ou do pai, também ignoto. Chegou naquela várzea distante quando muito pequeno. Tanto que não se lembrava. Vivia há muito tempo no lugar talvez esquecido pelo mesmo Deus a quem a mãe, mulata de olhos negros, fazia rezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um daqueles dias em que as nucas ferviam e sequer podiam ser salvas pelas sombras das poucas árvores. Pois as poucas árvores também tinham poucas folhas. A representação daquele mundo de pouco tudo, exceto pelo calor. O calor era a única coisa que se tinha de muito. Tudo queimava igual ao dia em que Severino tocara a mão no forno à lenha da mãe. Não por personalidade pirraça, já que tinha os olhos azuis. Somente por ser criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava quente. Mas a areia que lhe tocava os pés não ardia. Não ardia porque Severino estava já acostumado aos pés desnudos sobre a terra torrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca usara sapatos. Na verdade, sequer já os vira. Não até aquela tarde escaldante — mais uma entre muitas, mas que lhe pareceu ainda mais abrasadora. Podia mostrar conhecer muito da vida áspera — embora limitada em tempo e espaço. Conhecia os tons daquela terra, os temperos da cozinha, a direção dos ventos e até as palavras mais grosseiras dos homens mais xucros. Sabia que amanhã choveria, pois estava quente. Mas não conhecia aniversário, Natal e sapatos. Não até aquela tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele universo vermelho e cansado, não havia lugar para o supérfluo. Ali só havia essência. E a essência não inclui sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora estivesse quente, Severino preferiu ficar na varanda, onde a madeira passada parecia aquecer ainda mais o mundo. Sobre os joelhos, os cotovelos. Sobre estes, as mãos, que seguravam uma cabeça cansada de estar. Estar ali, sem nada. Sem vontade. Sem sapato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste dia veio um homem, coisa que ali nunca vinha. Um magro de cabelos cinzas e roupas de cidade. Com apenas um olhar lhe cumprimentou inutilmente, pois nessa hora Severino não via olhos. Via sapatos. Marrons brilhosos que contrastavam com o marrom fosco da madeira e que atravessaram a varanda que rangia como patos. Entrou pela porta que ainda mais gritava, e lá dentro a mãe o recebeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto não se movia, tais como os olhos de cimento, que ofereciam sua atenção aos ouvidos curiosos. Inútil tentativa. Escutava tão somente murmúrios. O sol fez o desenho das sombras da varanda se derreterem, até que alcançaram a parede. Foi quando então ouviu a voz rija dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Severino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia seu nome o homem de cidade. O homem cinza de sapatos marrons. Um estranho naquele mundo vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E novamente ouviu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Severino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vindo da voz terna daquela mãe mulata. Agora um chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou com a curiosidade tímida que não lhe permitia correr. A timidez que também não deixou que ele falasse enquanto as bocas da mãe e do homem se revezavam. Foi assim que alguma das vozes — que já não poderia dizer qual — revelou-lhe que era aquele seu padrasto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai morrera e a mãe casara-se novamente. O homem cinza que não tivera filhos encontrara na descoberta da existência de Severino um consolo. Um filho. A mãe lhe revelara onde deixara o embrulho choroso havia anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severino tremeu. Soluçou de susto. Um soluço rápido que só serve para seguir-se de um alívio de prazer. Um deleite maior quando o menino da vista azul e pés rubros soube que o padrasto queria um herdeiro. Tinha aquilo que chamava negócio. Uma loja. “A casa das sombrinhas”. Não sabia o que eram sombrinhas sob aquele céu ingrato que não dá chuva. Mas não importava o nome, já que nem sempre nomes são fiéis. Severino dos olhos azuis sabia disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A loja vendia sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Severino ver-se-ia, enfim, livre da vida severa e descalça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* sim, Severino é meu avô, embora a história seja muito pouco fiel à verdadeira.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3968762521170983831?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3968762521170983831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3968762521170983831&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3968762521170983831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3968762521170983831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/06/severino-e-os-sapatos.html' title='Severino e os Sapatos *'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-305872784911871127</id><published>2008-05-31T21:00:00.005-03:00</published><updated>2008-06-02T15:50:32.065-03:00</updated><title type='text'>Um Artesão de Idéias</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Talvez ele não estivesse ali, naquele beco apertado do Menino Deus. Ali, onde vive entre toras de madeira. Talvez ele estivesse agora em Londres, como passagem marcada para amanhã a Madri. Lá, entre a madeira trabalhada nos violinos e pianos das grandes óperas. Mas Seu Flávio, o marceneiro da vila Guaranha, prefere não cogitar o destino de sua vida se, aos 60 anos, o cigarro não tivesse apagado sua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Flávio da Conceição, marceneiro de profissão e cantor de ópera de dias passados, passa agora os dias a riscar em grandes cartolinas. Os bonitos armários, mesas, cadeiras, ou seja lá o que as madames de toda a cidade encomendem, saem dos desenhos um tanto tortos e sem muita perspectiva do marceneiro mais famoso da região. Mas são as mãos do filho e do neto que colocam em prática as obras do patriarca. As pernas de Seu Flávio já não permitem tanto esforço. Por isso ele desenha. Passa as tardes a planejar nos papéis amassados, sobre a mesa irregular na oficina apertada, com a astúcia de quem estudou desenho – que agora faz com as mãos mais inseguras – no Instituto de Bellas Artes. Um olho aqui e outro ali, no neto, que não herdou o talento vocal do avô. “Fala mais alto, guri!”. E resmunga: “Os guris de hoje não projetam mais a voz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Flávio projeta a voz, agora já um pouco rouca, ainda como nos tempos de cantor. Faz questão de falar para ser ouvido. Pelos outros e por ele, que precisa espichar o corpo e pedir que os outros repitam. Mas se diz humilde, só fala o que deve. “Não tenho a vaidade de dizer o que eu sei. Vou dizer o que eu sei quando tu me perguntar”. É difícil imaginar que o homem de 77 anos, de sobrancelhas rudes e pés ásperos, já brilhou nos palcos mais aplaudidos do mundo. Que as mãos machucadas pela serragem já flutuaram no ritmo da música clássica. No lugar das roupas surradas e da boina, quase do tom cinza dos cabelos, já esteve uma indumentária de barítono-tenor. “Sou um dos quatro únicos no mundo que alcançam esses dois tons. Vou do Sol ao Dó num segundo”. Mas, hoje, os 37% de ar que retém, graças a um enfisema pulmonar, não deixam que ele respire o ar necessário para fazer uma cadeira, quanto menos para fazer um espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, quando cantava na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, “faz uns 50 anos”, foi convidado para cantar na Inglaterra. “Mas lá não é como aqui. Ninguém pára para dar informação, ainda mais pra mim que não sabia uma palavra de inglês”. Conheceu a terra da rainha, a Espanha, a Itália, e mais um tanto de países que nem lembra. Dos irmãos latino-americanos, só contemplou de passagem o Paraguai, para onde foi comprar uma tevê. Mas nem sem palco deixou de cantar. E, assim como lhe acontece seguidamente nos bares do Menino Deus, foi convidado a soltar a voz num bar. Num espanhol convincente agradou com “Anahí... las arpas dolientes hoy lloran arpegios que son para ti. Recuerdan acaso tu inmensa bravura, reina guaraní”. Fala um bom espanhol e canta em italiano, mas não substitui a boa música brasileira. “Eu sou muito verde e amarelo. Gosto é de cantar o hino nacional da música brasileira”, e cantarola, distraído, Aquarela do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi no Brasil que perdeu a chance de sua vida: um contrato com o Teatro Scala de Milão. Era o prêmio do concurso “Voz de Ouro”. Na etapa do Rio de Janeiro, a música escolhida para agradar foi &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Rio, Caminho de Ouro&lt;/span&gt;. “Eles me adoraram!”. E venceu. Na final em Porto Alegre, um copo de água gelada pela manhã, que o impossibilitou de cantar, foi o suficiente para dar o primeiro lugar ao hoje famoso tenor Nino Valsani. “Se eu tivesse cantado, seria uma das maiores vozes desse país. Porque hoje em dia só tem porcaria, e eu to aqui sentado vendo essa porcaria”, resmunga, analisando a cantora Alcione no Domingão do Faustão, que “tem uma boa caixa de som, mas só canta porcaria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confessa que a vida de cantor seria mais descansada, porque dependeria só dele mesmo. Mas, com uma felicidade de gente simples, garante não se arrepender de nada. “É uma carreira muito difícil a de cantor. Eu era jovem, bonito e muito assediado. Acho que sou mais feliz assim”. Mesmo porque, se quisesse, poderia ter voltado a cantar. Diz saber limpar o pulmão com óleo de capivara, mas ele fica muito frágil, sem resistência. Por isso, preferiu não seguir o exemplo de um amigo, que usou e morreu pneumonia no primeiro frio do inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adora ser marceneiro. Parece divertir-se tanto com música quanto com madeira, a qual calcula com o cuidado de um compositor para não perder nenhum centímetro no corte. “Sou um pesquisador da profissão, faço coisas inéditas. Faço um guarda-roupas de 30 portas sem dobradiças e que nunca entra cupim”. Mostra, orgulhoso, o invento desenhado na grande cartolina, cujo projeto nunca foi comprado por nenhuma loja, já que é uma peça quase interminável, “dura uns 200 anos”. Por isso ele mesmo, com um financiamento, vai investir na produção e venda do invento. Fará propaganda própria, garante, assim como já faz para vender às madames. A propaganda do trabalho de Seu Flávio é feita mesmo no boca-a-boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu conhecimento sobre a química da madeira, tão importante para a descoberta da imunização aos cupins, não vem de família, mas da época em que fez remédios. Assumiu o cargo quando o costume de beber derrubou o titular, farmacêutico de profissão formado na Alemanha. Como assistente, Seu Flávio conhecia todas as receitas e começou a fazer os remédios. Mas, embora bêbado, o farmacêutico nada tinha de burro, e sempre escondia alguns segredos de boticário. O resultado foram remédios voltando em larga escala e a quase-falência da farmácia, que foi obrigada a recontratar o alcoólatra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apartamento de três quartos de Seu Flávio é de uma beleza simplória. Logo na entrada, a porta de desenhos curvos e bem lixados não deixam dúvidas quanto à profissão do proprietário. Uma sala onde não cabe muito mais que dois sofás, uma mesa, também feita por ele, e uma estante. Sobre esta, fotos de crianças. Nenhuma delas de seus netos. Com Dona Eva, segunda esposa, não tem nenhum. “Mas somos protegidos por Cosme e Damião”, ela diz. As crianças estão sempre na casa. Filhas de vizinhos, filhas de amigos, filhas de ex-namoradas do filho. Seu Flávio não parece tão empolgado quanto a mulher quando se fala em filhos. Com ela, teve dois; com outra, dez, dos quais resultaram seus vinte e sete netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os netos nunca deram problemas. O que trabalha na marcenaria tem dezessete anos. Os filhos estudaram; alguns, na universidade federal. Todos trabalham. Somente aquele a quem Seu Flávio deu o próprio nome parece não ser o seu orgulho. João Flávio trabalha com o pai. Converteu-se à Igreja Evangélica e agora diz que é filho de Deus, não mais de Seu Flávio. A marcenaria, onde antes cabiam armários e mobílias de todo o tipo, agora se resume a uma pequena ilha em meio a madeiras e lixo. Uma parte do teto, João arrancou para secar roupas. Em dias de vento e chuva, o local sofre com o dilúvio. E Seu Flávio, com o enfisema. Quando o pai ficou no hospital durante alguns meses, o filho abarrotou o local para esconder as máquinas e não perder a herança. Herança que daria ao novo pai: o pastor da igreja. Quando Seu Flávio teve alta, foi ameaçado de morte pelo filho. “Disse que ele não se atrevesse comigo, que eu cortava a garganta dele”, diz o dedo em riste e a cara de pai que dá a lição. Mas, como pai, também amolece. “Eu tenho é pena dele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Flávio é ateu. “Eu só acredito no que eu vejo. É um atentado a minha inteligência”. A candura de menino e a dureza que os anos lhe deram lhe conferem um ar de controvérsia. Ama ou odeia as pessoas. Não tem meio termo. “As pessoas são boas, viu? Não sei se fui eu que plantei coisas boas e acabei encontrando só coisas boas”, é o que diz quando narra acontecimentos que diz guardar como “relíquias”, como o da mulher que o levou ao pronto-socorro quando seu pulmão teve mais uma recaída no meio da rua. A bem-feitora deu o número de seu telefone agregado ao 9090, para que ele ligasse a cobrar e ela o fosse buscar. Sempre que lhe falta ar na rua, um anjo lhe carrega para o hospital. Da Brigada Militar, localizada ao lado da vila, ele já perdeu as contas de quantas caronas ganhou. Mas quando o assunto é trabalho, gente ruim há aos montes. Tem quem já o tenha tentado roubar, quem não quisesse pagar, quem quisesse passá-lo para trás. Um deles, Seu Flávio ameaçou de morte. Muitos outros, já xingou sem pudores. “As pessoas têm que ser corretas comigo, senão, passo-lhe o laço. As únicas pessoas descentes são eu e o Velho João, um preto que vendia madeira”. Súbito, desune as sobrancelhas severas e solta uma lágrima que percorre a ruga alinhada abaixo do olho. Somente em outro momento solta lágrimas como para o Velho João. É quando recita a própria poesia – uma de muitas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Um sábio me dizia que essa existência&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Não vale a angústia de viver&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Homens, eis o que somos neste mundo&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Uma célula orgânica que aparece&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Cresce, vibra e se dissolve num segundo&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Eis a vida&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Assim falou-me um sábio&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;E pela primeira vez eu comecei a ver&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Dentro da própria morte&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;O encanto de morrer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“Agora vem a parte mais linda, o final”. É quando a lágrima enfim cai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: left"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Uma mulher falou-me&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Feche os olhos, meu amigo&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;E sonhe&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Com uma doce companheira&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Que muito a queiras&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;E que também te queira&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Cortinas muito brancas na vidraça&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Um passarinho que canta na gaiola&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Que vida linda lá por dentro rola&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Assim falou-me uma mulher&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;E pela primeira vez eu comecei a ver&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;Dentro da própria vida&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;br /&gt;O encanto de viver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“É muito linda”, suspira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando canta ou declama, mantém os olhos fixos no seu interlocutor. Parece exigir atenção. Nesse momento, esquece-se do ar que falta, das rabugices, de tudo em volta. É como se fizesse aquilo pela primeira vez, com um brilho de criança contente nos olhos. “Por que ele não é sempre assim?”, pergunta Dona Eva, acostumada a correr de um lado a outro da casa atrás do nebolizador que a salvará dos resmungos sufocantes do marido. Depois de quase meia hora com o tubo verde sobre o nariz e a boca, no entanto, já é mais sorridente e falante. É muito falante. “Ele não pára. Tá sempre falando, falando, falando”, ri Dona Eva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns meses, Seu Flávio foi mandado pelos médicos para a psicóloga do hospital. Por quê? “Para encobrir a incapacidade deles, só pode!”. Dona Eva explica. É que o marido, já famoso no Hospital de Clínicas pela cantoria e pelos saraus poéticos em meio aos corredores, não conta para os médicos o que faz em casa. “Baixa o exu nele e ele quebra o nebolizador. Isso sem falar que vive esquecendo os remédios. Por isso, a doutora Marli quer que eu vá sempre junto para contar o que ele faz. É muito medonho. Me enlouquece. Por isso que eu digo que vou morrer antes dele”. Ele ri como criança travessa e acaricia a cabeça da mulher, com quem é casado há 36 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o pulmão, as pernas e o ouvido, tudo parece funcionar como se ainda tivesse os 50 anos da foto sobre a estante. Um filhote de onça se debruça sobre um Seu Flávio forte e bonitão, que lhe dá leite com uma mamadeira em algum lugar do Maranhão. Em casa, depois da meia hora inalando o soro fisiológico, ele parece voltar à forma e corre de uma peça à outra. Tudo parece funcionar. Na rua, se agarra com dificuldade às grades. “Mas se ele vê uma mulher, já melhora”, Dona Eva implica. Ele olha a tevê e finge não ouvir. Certa vez, quando, acompanhado da mulher, passava mal em frente ao Clínicas, uma vendedora de água não dispensou uma cantada ao setentão. Dona Eva nem liga, e ainda ri. “Se ela quiser tirar uma casquinha, pode”. Ele olha a tevê e finge não ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu Flávio parece não se arrepender de nada. Nem do copo de água gelada, nem do filho rebelde-evangélico. Mas os gestos firmes, o olhar firme, as mãos firmes e decididas, tornam-se instáveis quando fala do cigarro. Este sim, que o faz se agarrar em grades e sofrer em dias úmidos. O secretário da saúde do município, uma de suas muitas influências no mundo político, convidou-o para dar palestras contra o cigarro em colégios, já que ele falaria com conhecimento de causa. Como tudo o que faz, levou a sério a proposta e, com a responsabilidade de marceneiro que entrega encomendas na data, escreveu um monólogo para apresentar, mas o projeto nunca saiu do papel. “O prefeito não tem interesse nisso. Não daria uma boa propaganda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da época de candidato a vereador em Viamão guardou amizades políticas. Da época de ascensorista, a cumplicidade de Leonel Brizola. Foi convidado por Lupicínio Rodrigues a cantar em São Paulo. Procópio Ferreira esqueceu de escrever o poema, e mandou o amigo Flávio em seu lugar. Tem amigos em todos os cantos. Conversa com todos, sem qualquer preconceito. No ônibus, pede licença e já inicia um diálogo. Faz questão de ressaltar seu diferencial. “Me comunico com as pessoas, por isso elas são legais comigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As carreiras de cantor, ator, poeta, pai, avô, farmacêutico, político e marceneiro sempre foram levadas com responsabilidade. Se tem uma coisa de que ele se orgulha, é de ser responsável. Diz ter muita dedicação e respeito pelas pessoas. “Se a pessoa não vive pra servir, não serve pra viver” é o seu lema. Sabe que é daí que vem o grande respeito que lhe conferem desde o Lupicínio até o Luciano, um ajudante com problemas mentais, “mas de bom coração”. Orgulha-se disso mais que da voz de barítono-tenor. Por isso, prefere estar ali, entre a madeira bruta na vila Guaranha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-305872784911871127?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/305872784911871127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=305872784911871127&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/305872784911871127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/305872784911871127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/05/um-arteso-de-idias.html' title='Um Artesão de Idéias'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3683254535751381081</id><published>2008-05-24T22:33:00.008-03:00</published><updated>2008-05-26T16:15:35.013-03:00</updated><title type='text'>Manifesto Anticonsumista</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Vou fazer aqui uma campanha. Uma campanha e um apelo desesperado. Trata-se de um fato que, de tão prosaico, já não é percebido pela maioria daqueles que me cercam. Que estão por aí, fazendo um danado mal inconsciente. E meu papel de pessoa um tanto consciente me incumbe de um alerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatos do dia-a-dia tornam-se mecânicos. O que não é novidade, é levianamente feito de modo que tudo simplesmente saia conforme o costumeiro. Nem certo nem errado. Somente que saia. Num supermercado, onde espíritos consumistas são ativados por tantas novidades altamente capitalistas e sem qualquer utilidade, nossos cérebros esquecem-se de pensar. Apenas agem. Aqui e ali, uma novidadezinha satisfaz nossos desejos repentinamente indispensáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse alvoroço de anseios, até compreendo a rejeição involuntária a qualquer pensamento lógico. Ao pensamento um pouco menos irracional. Sei que, nessas horas de tamanha alegria – ou debilidade –, é difícil largar o próprio egoísmo. Mas, mesmo assim, eu peço, peço bem desesperada: parem de usar sacolinhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passo pelo caixa com um bandeide e um chocolate. Num ato impensado, o moço-empacotador-mau-treinado mete o bandeide numa sacola; o chocolate, noutra. E eu repito, pela qüinquagésima nona vez, um “tudo numa só, por favor”. Que mal, afinal, um bandeide fará a um chocolate? Menos ainda o contrário. E assim vamos, loja após loja, enchendo o mundo de sacolinhas. Preenchendo o mundo de plástico por, pelo menos, uns cem anos mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passeando em janeiro pela Argentina, saímos de um mercadinho com os produtos na mão, para não pagarmos sacola. Em vários lugares, a famosa “sacolinha” de supermercado já foi substituída por outra que se decompõe mais rapidamente. Na Alemanha, na Dinamarca e em várias cidades americanas já proibiram o uso delas. Recentemente, a desenvolvidíssima China baniu a dita. E aqui, ora pois!, nem os educadíssimos atendentes do Zaffari são treinados a não oferecer o maldito polímero! Parecem treinados para justamente o oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Milhares e milhares de sacolinhas passam por dia pelas nossas mãos e não!, não usamos todas para "lixinho". No Paraná, o governo adotou medidas como a distribuição gratuita de sacolas oxi-biodegradáveis, que se decompõem em 18 meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso não acontece por aqui, tenho uma sugestão: sigam o exemplo da minha mãe, que carrega suas invenções de pano para a feira – chamada ecológica, mas onde todo mundo faz questão de proferir “uma sacolinha?". Por isso, vou fazer uma campanha. Se for muito difícil largar o vício, sugiro que parem de comprar. Antes que se afoguem em sacolinhas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3683254535751381081?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3683254535751381081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3683254535751381081&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3683254535751381081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3683254535751381081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/05/manifesto-anticonsumista.html' title='Manifesto Anticonsumista'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2791887988219382153</id><published>2008-05-12T17:40:00.012-03:00</published><updated>2008-05-13T21:11:43.586-03:00</updated><title type='text'>Donas Maricotas não são mais as mesmas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ônibus são terrenos férteis para boas idéias. “Boas pautas”, diria um jornalista. Diria eu. Digo eu que adoro ônibus. Exceto quando uma tia gorda me “abunda” (no sentido de bunda, mesmo) durante toda uma viagem, ou quando tias atucanadas esperam na porta de saída para só saírem no final da linha e atrapalham a saída alheia, eu gosto mesmo de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, bem. O que quero contar é sobre a tia no ônibus. Não a da bunda ou a outra. Mas a tia de seus setenta anos –- deveria chamá-la de vó, pois --, que agora sai pela porta de trás graças ao novíssimo sistema-que-não-deu-certo (ou deu TRI-errado?). A tia que foi a graça do meu dia. A graça e a desgraça. Quando a gente enfim pensa que o mundo tem jeito, uma vó dessas desencanta-nos. Vós deveriam dar exemplo de boa conduta, de educação. Como toda mãe é virgem, toda vó é bem-educada. Vós foram criadas em tempos áureos, quando as pessoas não falavam palavrões. É o que nós, jovens de vocábulos tão chulos, pensamos. Eu pensava. Até hoje.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dona Maricota –- como aqui a chamaremos, por ser nome de vó –- era baixinha e corpulenta, daquelas que parecem bolinhas infláveis. Os cabelinhos prateados em coque e o andar de pêndulo eram seus encantos. Uma saia e uma conga. Uma perfeita lady da terceira idade porto-alegrense. “Um amor de vó”, diriam aqueles que não a conhecem. Ou que não viram o que eu vi. O destino de Dona Maricota, naquele ônibus com um pouco mais de gente que assentos disponíveis, era a Câmara dos Vereadores. O que aos setenta anos ela queria ali, eu nem imagino. Detive-me apenas na forma com que Dona Maricota alcançaria seu objetivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levantando-se do assento com dificuldade metros antes da parada, ela correu à porta como se o ar lhe faltasse. Precisava ir à rua, por isso correu. Tinha medo que o ônibus arrancasse e os vereadores ficassem para trás. Correu com aquele jeito pêndulo de ser. Mas a educação de tempos áureos não lhe ficou na memória. Nem no inconsciente. Dona Maricota saiu a atropelar um menino-malandro, com o próprio nome tatuado em enormes letras no braço. O Leonardo, como eu e todos ali sabiam, foi o alvo de Dona Maricota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Me deixa sair, deixa eu ir na tua frente! Sai da frente, sai da frente!”, ela gritou ao Leonardo apavorado. E o Leonardo não saiu, coitado. Nem tinha que sair. Nas plaquinhas vermelhas, onde então dizia “assento preferencial”, ele não lembrava ter lido a mesma designação para “saída”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“É um idiota, um imbecil. Brincadeira! Que m...”, e mais um monte de resmungos inaudíveis a mim. Já o Leonardo, deve ter ouvido alguns mais lá fora. Isso se não levou um puxão de orelha de brinde. Fiquei feliz, por um momento, de o futuro ser do Leonardo -- mesmo com aquela tatuagem -- e não da Dona Maricota.  Porque as Donas Maricotas já não são mais as mesmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E digo, um tanto decepcionada: não creiam mais em mães virgens e em vós bem-educadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2791887988219382153?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2791887988219382153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2791887988219382153&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2791887988219382153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2791887988219382153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/05/donas-maricotas-no-so-as-mesmas.html' title='Donas Maricotas não são mais as mesmas'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5316675959321647175</id><published>2008-05-04T16:28:00.004-03:00</published><updated>2008-05-06T09:49:13.387-03:00</updated><title type='text'>O Show da Fé</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um texto não-&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornalismo_gonzo"&gt;gonzo&lt;/a&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Lá de cima, os grandes holofotes iludem os olhos. Fazem crer no verde reluzente como quadros de Monet. Os milhares que rodeiam a grande relva urbana nada sabem sobre arte impressionista, mas conhecem o valor daquele gramado milimetricamente dividido em dois tons. O espaço é sagrado. Sabem que no verde só os escolhidos pisam, e aguardam ansiosos os pés que ali tocarão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Lá de baixo, olham para cima e sequer reparam no verde mal cuidado misturado ao marrom do barro malcheiroso. São milhares de pessoas que se esmagam na ponta dos pés, numa tentativa desumana de enxergar entre cabeças. Dali a pouco, alguém terá para si todos os olhos e ouvidos estendidos ao longo da orla, mas ninguém colocará tão cedo os pés no lugar sagrado. Apenas tentarão alcançá-lo com as mãos. É o Show da Fé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;No Beira-Rio, o show se chama Gauchão. Aqui, o inimigo vem das bandas serranas e traz consigo adoradores com os mesmos decibéis. Um oleleô, um vaitomanocu, algumas palavras fétidas e alguns Us soltos em hora inconscientemente combinada. Tudo sai das bocas com sotaques diferentes em cada lado da arquibancada. Tapo os ouvidos, finjo acreditar que o show está lá embaixo. Na arena, vinte e dois com ares estúpidos se degladiam pelo objeto rotundo do desejo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Na beira do rio, a poucos metros na direção norte do mar vermelho, não se tem inimigos. A paz reina nos corações e as palavras são de amor. Aqui, são todos irmãos. Vêm apertados em ônibus lotados do litoral, da serra, da fronteira ou da terra de ninguém. Mas entre eles não há diferenças. São todos filhos de um mesmo pai. Todos crêem na mesma coisa, e não lhes importa se nisso há alguma razão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Nas arquibancadas, a fé também vem do berço. É-se vermelho desde o batismo, sem direito a protestar. O quatro-três-três, o quadrado mágico, o losango fantástico, tudo pode dar errado, levá-los à segunda, terceira, quarta divisão. Ninguém, no entanto, sob qualquer resultado, ousa trocar a cor do manto sagrado. Se trocassem, o homem que se descabela num canto e solta gemidos seria o culpado. As pernas ameaçam invadir o campo numa tentativa inútil de salvar sua desgraçada tática. O jogo do técnico pode torná-lo o Cristo. Quando do contrário, é o Lúcifer logo demitido do paraíso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Seres vestidos de azul são múmias que sussurram e distribuem o caminho para o céu. São papéis com listrinhas pretas, códigos de barras. Um deles pára na minha mão como milagre. Aqui, ao contrário do outro show, paga-se na saída. “Sejam acionistas de Deus”, clama um Pastor de voz galante. Tem pinta de artista de cinema para o qual ninguém protesta. Um Richard Gere capaz de seduzir homens e mulheres e de levá-los, literalmente, ao paraíso. Ele está sempre certo, não importa a tática. O pastor dá as ordens que lhe convém às ovelhas desgarradas. “Ponham a mão na cabeça”, confunde-as com macacos. “Sai, sai, sai!”, gritam com ele as mãos que espantam o diabo. Depois, elas se dirigem para o céu azul que os sobrepõe e cantam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A cor do céu é a mesma do sangue, assim como dos mantos que mais da metade do estádio carrega no corpo. Alguns fiéis ainda reforçam a crença com panos quilométricos abertos de cima a baixo sobre as cabeças. Parecem não se importar com a pouca visibilidade dos santos de chuteira. Pulam sem parar. Agarram todas as mãos. Tornam impossível a qualquer um assistir ao jogo sem oscilações. É um sobe e desce sem qualquer temor dos muitos metros abaixo na arquibancada. É um depósito inabalável de fé.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A mistura de mãe-colorada-católica-não-praticante e pai-gremista-luterano-não-praticante resulta em filhos apáticos a qualquer fanatismo. Eu não tenho santos nas mãos, nem cara de compreensão. Sinto que me olham de revesgueio. Embora venha d’outro mundo, a energia causa um barato sem contra-indicações. Lembro do que dizem: gente de fé é gente que não faz terapia. Não custa tentar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O espetáculo esportivo chega a ser bonito. Algo um tanto balé, um tanto batalha. Algo entre palco e arena. Notas regidas pelo maestro auto-escabelado atrás da linha branca. Decadente é o espetáculo do mar vermelho revoltoso, em completa desarmonia consigo mesmo. Mal sabem os vinte e dois sagrados que dividem o próprio show. Já faço parte dele, já grito, já vibro por uma religião que agora é minha. Sinto a vibração dúbia, que pode aumentar ou diminuir minha racionalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;O espetáculo parece irracional. As mãos abestalhadas batem no ritmo das canções divinas, nas quais onze entre dez palavras são o nome do Homem que rege tudo aquilo. Eles dançam como minhocas lânguidas e fazem coreografias toscas e sem sincronia. Uma tia gorda fecha os olhos e faz cara de choro logo em frente. As palmas das mãos viradas para o alto esperam a bênção prometida, ou talvez um milagre que caia do céu. Como ela, há muitos. É um concurso de teatro dramático. Quem mais sofrer pelo Homem será o vencedor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fingir sofrimento na frente do Homem pode convencer. Aqui, o Homem é chamado juiz, mas seu juízo não é unânime. É o deus de apenas um dos lados. Precisa decidir por qual deles quer ser odiado. O outro, que se dane.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Já no galante da voz sedutora, acredita-se de olhos fechados e braços pra cima. O candidato mais esperto sabe disso. Ele sobe ao palco e solta duas frases bem construídas e uma graça aos céus, que lhe garantem milhares de votos nas próximas eleições. Em volta do grande palco, as pernas cansadas tentam se manter, mas não se entregam. Braços e cabeças vão ao alto, cantam e gritam... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;GOOOOLLL!!! brada o radialista concomitantemente ao uivo da torcida. Em uníssono, o homem se esquece de ser homem. A razão dá lugar ao pathos irracional. Não há mais ninguém em torno, não há mais prudência. Os olhos são seguidores incansáveis de um único ponto. No campo, as pernas correm paralelas. Enredam-se, costuram-se, esquecem-se do que rola em frente. Miram o inimigo, miram a bola. Dane-se a bola. Já sou algo entre homem e macaco, é o que pensam. O objetivo agora são canelas. Caem, esfolam-se, um rola, faz cara tragédia grega. A torcida vibra. O cartão amarelo sob a cabeça do juiz tem efeito imediato sobre o vasto léxico da torcida. Protestam, clamam, sofrem, é questão de honra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É questão de classificação, de alcançar o objetivo. O lugar no céu depende do fanatismo desvairado. O ídolo sente a adoração e faz direitinho seu trabalho. Joga conforme o time, dança conforme a música. O placar marca sucesso. Agora só resta a final. O final. Aí, então, estarão todos no paraíso.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;...e retardatário, já que o vermelho já está no paraíso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5316675959321647175?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5316675959321647175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5316675959321647175&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5316675959321647175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5316675959321647175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/05/o-show-da-f.html' title='O Show da Fé'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6463432707242015362</id><published>2008-05-03T14:20:00.015-03:00</published><updated>2008-05-03T15:29:13.593-03:00</updated><title type='text'>Felicidade Relativa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoBodyTextIndent"&gt;Mais do que qualquer coisa, o grande mistério do mundo está na compreensão da felicidade alheia. O que é razão para seus prazeres insensatos não necessariamente é a outrem. Uma singular convenção diz, no entanto, que se você não seguir padrões, não há de ser feliz nunca. Por que a felicidade de todo mundo tem de ser igual, afinal?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Tudo deu-se numa dessas conversas de bar, nas quais sou participante passiva. Passivíssima, com o perdão do neo-superlativo. Sou grande apreciadora de conversas de bar, de escritório, de faculdade, de sarjeta. Contanto que se tratem de bons papos, lá estão meu bom ouvido e minha abençoada paciência. A boca, no entanto, engata por vezes, e timidamente, na primeira –- e volta logo ao ponto morto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Um novo amigo teve a sorte, ou não, de conhecer minhas características de gente estranha ao mundo convencional. A pauta da noite, como já estou acostumada há mais de vinte anos, foi a minha vida de menina careta. “Eu não como carne”, foi o ponto de partida à discussão calorosa, seguida de um “também não bebo”. “Mas então tu não és feliz!”, foi o que me disseram. É o que me dizem há mais de vinte anos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;É de se pensar, óquei, se a pessoa que se conheceu há alguns minutos é ou não feliz sem o prazer das coisas que nos dão tanto prazer. Se (é o que eles dizem) é-se feliz sem ter no estômago um boi a altos níveis etílicos. Eu pensaria o mesmo de um ser incrivelmente peculiar que nunca tivesse provado o doce sabor da vida –- o chocolate, quero dizer. Mas eu lhes garanti: “sim, juro que sou feliz sem o boi ou a cevada”.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Há o que me faça rir e falar bobagem sem qualquer teor alcoólico. Ou o que satisfaça minha fome sem o sangue de outras espécies. Mas entendo perfeitamente quem precisa disso pra viver, assim como eu preciso do chocolate. E entendo perfeitamente –- e gosto também –- quem solta com facildade a língua em conversas de bar. Eu não consigo, mas ouvir, eu garanto, me dá uma felicidade inenarrável.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Existe gente feliz sem religião, assim como creio serem felizes os monges que passam os dias a rezar. Há quem seja feliz trabalhando ou fazendo nada a vida inteira. Há até quem diga que é feliz estudando matemática (nossa!). Só não creio que haja felicidade em quem não permite que outros o sejam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p face="georgia" style="text-align: justify;" class="MsoBodyTextIndent2"&gt;Nada de bifes, cervejas ou verbosidade em bar. Tenho certeza que nada me faria mais feliz que uma boa companhia, a palavra final de um livro ou um banho de chuva. Além de ouvir. E só ouvir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6463432707242015362?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6463432707242015362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6463432707242015362&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6463432707242015362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6463432707242015362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/05/felicidade-relativa.html' title='Felicidade Relativa'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-7284789498577730485</id><published>2008-04-26T18:21:00.007-03:00</published><updated>2008-05-03T14:20:12.600-03:00</updated><title type='text'>O Sonho de Ícaro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SBOdwugwMwI/AAAAAAAAAL4/rghDJZT0U-4/s1600-h/icaro.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SBOdwugwMwI/AAAAAAAAAL4/rghDJZT0U-4/s400/icaro.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193668255733003010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Chama-se Adelir. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  lang="ES-TRAD" &gt;Nada de Gabriel, Ariel, Nathanael. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Só mesmo Adelir. Já que nome de anjo não tem, Adelir resolveu ser Ícaro. E, no anseio de chegar ao seu maior sonho, arrumou não penas e cera, mas balões e cordas. Com asas, afinal, seria mais difícil voar. Planejou durante anos a peripécia. Vinte horas atado em balões verde-cacto, amarelo-sabão, vermelho-rosa. Balões de criança, esmagados em festas até o bum e o choro. Mais de mil deles, todos assoprados até o limite pelo gás que faz voar. Padre Adelir está prestes a chegar ainda mais perto de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Especialista em céu, padre Adelir, assim como qualquer padre, sabe das condições divinas, mas nada das condições do vento. Algumas aulas de vôo aliadas a quarenta e dois anos de fé. Acredita ser isso suficiente para garantir segurança sobre as terras amareladas de Paranaguá, sua cidadezinha paranaense. Um macacão térmico, um capacete, um pára-quedas, um celular, um aparelhinho de orientação sem manual. A medida certa para permitir que os pés saiam do chão. Com o dedo no calendário, o dia foi escolhido pela rotunda lua cheia que estaria no céu. Pretende passar suas horas a contemplar o luar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;É vinte de abril e o famigerado padre da cidade sai minutos após a missa. Com a ajuda dos fiéis coroinhas e de dois ou três fiéis, sai carregado pelos suntuosos balões preenchidos na véspera. Às nove horas da manhã, a cidade desperta sob a névoa sonolenta de cidades pequenas. Em vez do mate quente das manhãs de domingo, os moradores vão se alimentar da fé. Em vez do jornal dominical, vão sugar da fonte da sabedoria do Senhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;Sob a neblina já mais leve, a razoável multidão de cidades pequenas observa padre Adelir subir aos céus. A alguns metros do chão, ele já não ouve as palmas abafadas pelo som da borracha colorida. E deixa que o vento o leve. Leve como pena. Não lhe importa que os mares que ele agora vê estejam a alguns metros a sudoeste. E que mudem os ventos impiedosos lá de cima. Padre Adelir já é um anjo entre uma espuma alva e inconsistente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:100%;"  &gt;A cinqüenta quilômetros da costa, sob seus pés só há uma rede azul ondulada. Acima da cabeça, um azul liso pincelado pelos tons emborrachados que se perdem aos poucos. Mesmo se quisesse gritar, sua voz já não poderia ser ouvida pelo resgate. O aparelhinho trazido não passa de um figurante sem manual. Mas não quer gritar. Como bom cristão, ele reza. E a reza murmurante do padre Adelir talvez só possa ser ouvida por Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-7284789498577730485?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/7284789498577730485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=7284789498577730485&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7284789498577730485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7284789498577730485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/04/o-sonho-de-caro.html' title='O Sonho de Ícaro'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SBOdwugwMwI/AAAAAAAAAL4/rghDJZT0U-4/s72-c/icaro.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-7963416512802926441</id><published>2008-04-16T15:47:00.027-03:00</published><updated>2008-04-16T21:35:01.650-03:00</updated><title type='text'>O Professor Gaivota...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* comece sua leitura &lt;a href="http://sobrejornal.blogspot.com/2008/04/o-professor-gaivota-e-seu-aluno-do-sul.html"&gt;clicando aqui.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SAZN9X1ysXI/AAAAAAAAALw/-PMmiteNO-A/s1600-h/0375708049.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189921337358070130" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left; width: 182px; height: 283px;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SAZN9X1ysXI/AAAAAAAAALw/-PMmiteNO-A/s400/0375708049.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um dos mais peculiares personagens da literatura não saiu da imaginação de um grande autor. &lt;em&gt;O Segredo de Joe Gould&lt;/em&gt;, nascido da realidade de um jornalista, é mais fascinante do que algumas das mais fascinantes ficções. A refinada descrição, somada à discrição de Joseph Mitchell, oferece momentos memoráveis da curiosa trajetória de um homem, mais do que um simples andarilho barbudo de Nova York.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A leitura de &lt;em&gt;O Segredo...&lt;/em&gt; prende o leitor a uma personalidade que, não fosse repleta de detalhes tão humanizados, pareceria uma alegórica criação. Longe de ser apenas mais um louco, o boêmio que passou pelos bancos de Harvard tem um jeito instigante. Os muitos mistérios que envolvem sua vida podem despertar no leitor antipatia ou encanto, mas não há quem deixe de se fascinar por, no mínimo, sua incrível eloquência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O maior enigma do livro é encarnado pelas pretensões do personagem Joe Gould, que diz estar escrevendo uma obra onze vezes maior que a Bíblia. “Uma História Oral de Nossa Época” é o “segredo” que dá nome ao segundo texto de Mitchell, feito sete anos após a morte do protagonista. Nessa segunda obra, o autor acrescenta no que resultou a vida dele e de Gould depois do lançamento do primeiro perfil, &lt;em&gt;O Professor Gaivota&lt;/em&gt;, para a revista &lt;em&gt;The New Yorker&lt;/em&gt;, em 1942. A partir daí, Mitchell torna-se personagem. Relata suas aflições em relação a Gould, que passa a procurá-lo com freqüência após tornar-se o mais famoso boêmio da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gould é um tanto egocêntrico e sente necessidade de demonstrar suas habilidades a todo tempo. Desde a &lt;em&gt;História Oral&lt;/em&gt;, a partir da qual diz que deixará seu nome para a posteridade, até poesias e a língua das gaivotas, para a qual “já traduziu diversos poemas”. São todos eles motivos para o personagem buscar admiração e dinheiro de seus interlocutores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que o único patrimônio que possui é um portfólio no qual carrega textos da “história informal de gente em mangas de camisa”, conta com a ajuda de conhecidos para comer, dormir ou se vestir. Precisa dos outros, portanto, para viver. Gente da alta sociedade que, conforme Mitchell, lhe dá somente aquilo de que não precisa mais, o que já não presta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Diz também contar com os “amigos” para guardar o livro que escreve há 26 anos. O vaivém da procura pelos textos é um dos motivos que leva o autor a repensar a verdade contada por Gould. Mas a grande capacidade de observação do jornalista Mitchell o leva a uma atitude inesperada, quando descobre a verdade sobre a História Oral. Fazendo uma analogia à própria vida, ao próprio sonho de escrever um romance – quando a narrativa envereda para o lado mais intimista – Mitchell não denuncia Gould. A percepção de que o sonho, como o de escrever a H.O. do andarilho, pode ser uma grande obra, e que acabar com ele pode acabar com uma vida, leva-o à compreensão do que é, aparentemente, irracional no protagonista de suas obras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos grandes textos do jornalismo literário, “O Segredo de Joe Gould” é um exemplo de como a observação, a &lt;a href="http://www.andredeak.com.br/emcrise/nao-pereciveis/npsobremitchell.htm"&gt;espera pela “árvore cair”&lt;/a&gt;, pode ser recompensada com uma boa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Postagem interativa, resultado de trabalho&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;para Jornalismo Literário (com adaptações).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-7963416512802926441?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/7963416512802926441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=7963416512802926441&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7963416512802926441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7963416512802926441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/04/o-professor-gaivota.html' title='O Professor Gaivota...'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/SAZN9X1ysXI/AAAAAAAAALw/-PMmiteNO-A/s72-c/0375708049.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4624704282163711452</id><published>2008-03-31T17:00:00.015-03:00</published><updated>2008-04-01T14:43:15.435-03:00</updated><title type='text'>Sobre bancos, barrigas e dilemas.</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sempre cuido com os bancos vermelhos. Os apavorantes bancos rubros do ônibus, que piscam como sinaleiras em alerta. São eles destinados a pessoas com deficiência, a vovós e a futuras mamães. Preferenciais, é o que dizem. Já eu, prefiro não os preferir. Por isso, fujo dos bancos vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Os bancos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, uma simpática senhorinha desfrutava de seu lugar à janela sobre o banco azul. Do outro, ninguém sobre os vermelhos. Não hesitei em acomodar-me ao lado na senhorinha, apesar de gostar de janelas. Da universidade à minha casa, são trinta minutos e a maior avenida da cidade a percorrer. Trinta minutos de sufoco sob o sol do meio-dia. A não ser que você consiga um banco azul. Era o que eu pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema dos bancos vermelhos é precisar ceder o lugar às pessoas a quem eles se destinam. Mas, para pessoas de bom-senso, o adágio vale a todas as cores. O problema é saber a quem ceder o lugar. Que são a deficientes, vovós e gravidas eu sei. Mas quem são eles? É sempre um dilema saber se oferecer o lugar é respeito ao mais velho ou chamar o outro de velho. Mas o dilema, no meu caso, foi muito mais grave. Gravíssimo. Diria até: gravidíssimo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A barriga, faltando uns oito décimos da avenida.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A menina – devia ter uns vinte e poucos anos – adentrou o ônibus. O coletivo estava lotado e sufocante, e eu ao lado da senhorinha com meus fones. A menina, que, afinal, não era idosa, não deveria ser uma ameaça, não fosse por um ligeiro detalhe. A barriga. Ela tinha uma longa e rotunda barriga, dessas não-identificáveis, dessas que não se sabe se tratar de bebê ou de beber. E ela parou do meu lado. Não tinha cara de grávida, mas tinha barriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O dilema, aos sete décimos que me restavam.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu perguntasse à moça se queria sentar, demonstraria minha gentileza. Poderia, no entanto, também demonstrar minha grosseria ou, no mínimo, minha ignorância frente a barrigas. E, em vez de uma constrangida - no caso, eu -, seriam duas - eu e ela. Eu segurava o material de outra menina e, mesmo assim, parecia a mais insensível das criaturas. O ônibus lotava, a barriga me empurrava, e eu rezava. E, quanto mais eu rezava para chegar - ao meu destino ou ao dela -, mais demorava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Seis décimos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à Puc. Em outro dia, aquele seria meu destino. Naquele, porém, não era. Mais gente sobe. Ninguém desce. Comecei a sentir um enjôo, uma tontura, uma coisa parecida com culpa. Parecia-me que todos me olhavam e me condenavam. Condenavam minha bunda preguiçosa que não cedia em favor da barriga enigmática. Mas não havia que fazer. Não poderia ceder, mesmo porque a lotação, que causa a impossibilidade de qualquer movimento, não permitia que trocasse de lugar com a possível gestante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cinco décimos: a metade.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirei os fones e assim fiquei, pedindo socorro para chegar logo e fingindo não ver a barriga que quase roçava meu nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quatro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... três décimos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem a tortura, nem a censura, nem &lt;a href="http://vagalume.uol.com.br/elis-regina/o-bebado-e-a-equilibrista.html"&gt;o irmão do Henfil ou as lágrimas de Marias e Clarisses&lt;/a&gt;. Nada naquele momento me fez sentir tanta ojeriza pela classe militar. Nada me fez odiar tanto, naquele espaço de tempo,  a infeliz idéia, de um infeliz regime, de construir um infeliz campus universitário distante de tudo. Brilhante criação para evitar revoltas estudantis. Os revoltados, agora, são os estudantes do século vinte e um, que precisam chegar à fronteira com a cidade vizinha às sete e meia da manhã. E eu, chegar viva pro almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dois&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu sofria. Por mim e por ela. Sim, porque ela sofria. Se ali havia um bebê ou uma melancia não importava. Ela sofria, eu sei. A música já não me salvava de qualquer murmuro dos censores passageiros. A minha chance seria ela saltar do coletivo antes de mim, mas nada. A do material que estava comigo desceu, ela não. Bendita suposta grávida! &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais alguns metros e uma parte da outra avenida. Esquivei-me para deixar o lugar. A menina se apoderou do banco com uma visível felicidade. Estávamos sãs e salvas. Ela, no banco azul. Eu, em casa e cheia de culpa. Devia ter perguntado o que ela tinha na barriga...&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5183999853007008626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R_FEZnoo83I/AAAAAAAAALQ/Q6laGBGZq2w/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4624704282163711452?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4624704282163711452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4624704282163711452&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4624704282163711452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4624704282163711452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/sobre-bancos-barrigas-e-dilemas.html' title='Sobre bancos, barrigas e dilemas.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R_FEZnoo83I/AAAAAAAAALQ/Q6laGBGZq2w/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-7589844878516059171</id><published>2008-03-24T22:05:00.019-03:00</published><updated>2008-03-26T22:51:44.452-03:00</updated><title type='text'>O dúbio som do desespero</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Alguma coisa acontece em algum espaço longínquo e ignoto. Uma dor, um suspiro, uma mão no peito e uma voz que clama. Ela tenta evitar a dor com as mãos que procuram apoio, enquanto alguém lhe afaga a alma com palavras de conforto. Quando já no chão, ela ouve o som que lhe afrouxa o peito: uóooo-uóooo!!!!&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Em minutos, talvez segundos, a sirene soante rasga a cidade como um foguete. Contorna obstáculos com um poder inabalável que só as viaturas alvas têm. São carros de um lado para outro da larga avenida que, por centímetros, não se chocam na tentativa de ceder o passo. São pessoas que se questionam sabendo que não terão resposta. O grande carro branco da cruz de sangue leva já o agonizante sujeito?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Nesse meio tempo, nesse meio caminho entre a origem e o destino da ambulância, encontro-me. Estou lá, a caminhar no meu já costumeiro estado quase ausente de mim mesma, quando o ouvido se deixa tocar pela ressoante canção do desespero. Sinto uma ponta de desconforto no peito e, tal como o objeto alvo da ambulância, coloco nele a mão e procuro porto seguro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;A música desafinada, regida pela partitura de carros que se cruzam e sobem calçadas, me dá uma dor pungente. Acompanho todo o percurso da famigerada até perdê-la de vista. Torço em silêncio para que o tempo não corra mais que ela, e rezo uma reza qualquer de gente sem religião. Os dedos podem contar quantas vezes já sentiram sofrimento semelhante à da visão da cruz vermelha.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;Continuo uma prece sem qualquer origem ou doutrina. Solto um sorriso aliviado. A essa altura, um coração voltou a bater e vários corpos recuperaram a alma. E, descobri, o dúbio som do desespero, que traz sofrimento e alívio, é&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; o único capaz&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt; de salvar todas as almas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-hVAXoo82I/AAAAAAAAALE/7QcXBFNtfZI/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181484836122588002" style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-hVAXoo82I/AAAAAAAAALE/7QcXBFNtfZI/s200/separador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-7589844878516059171?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/7589844878516059171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=7589844878516059171&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7589844878516059171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7589844878516059171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/o-dbio-som-do-desespero.html' title='O dúbio som do desespero'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-hVAXoo82I/AAAAAAAAALE/7QcXBFNtfZI/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3866190175804096512</id><published>2008-03-18T22:05:00.017-03:00</published><updated>2008-03-22T12:46:52.034-03:00</updated><title type='text'>Das carrancas e carrancudas da vida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos meus áureos tempos pueris, minha casa, que nunca foi das mais tradicionais, abrigava uma carranca* sob a escada. Era daquelas carrancas bem feias mesmo, vermelha e de grandes dentes, que encarava de pronto quem em nosso refúgio se atrevesse a entrar. “Para evitar maus espíritos”, era o que dizia minha mãe. Lá em casa, sempre tivemos aversão a esses “maus espíritos” e apatia por qualquer coisa que os apartasse. Incensos, pêndulos, muito sol e ar fresco e, claro, carrancas.    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Pois bem. Nunca ninguém temeu ou fez qualquer sinal de iminente escarcéu ao ver, pela primeira vez, o sorriso um tanto macabro da nossa amiga. Ela até merecia certa simpatia de nossa parte. Não a ponto de lhe darmos nome (outro costume da família, também nada tradicional), mas era queridíssima por todos. Ou quase todos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Uma só pessoa demonstrou aversão à presença da nossa protetora. Um amigo de minha mãe sentia-se misteriosamente incomodado quando convidado a sentar no sofá adjacente à escada. Não gostava dela e fazia questão de deixar clara sua antipatia, chegando ao ponto de sugerir que a colocássemos no lixo. Pois o sujeito – ou melhor, o espírito do sujeito -&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;foi descoberto, tempos depois, como de má índole. Um “mau espírito”, portanto. E descobrimos que a carranca fazia jus a sua função, até ser perdida pela grande revolução causada por uma reforma arquitetônica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Desde então, acredito nessa coisa de energia. Qualquer roupa que eu vista, qualquer lugar a que eu vá, qualquer situação em que me ponha, penso na tal da energia. Mas eu penso nela sobretudo quando conheço pessoas. E nela tenho pensado muito nesses tempos. Porque sempre há gente com aquela perene cara de insatisfação, com aquele ar fastidioso, cuja vida parece estagnada em dias de pé esquerdo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Digo isso porque, já há algum tempo, conheci uma menina, bonita que é uma coisa. Tem daquelas belezas de dar inveja a outras meninas e de deixar babões os meninos. Mas, embora a beleza em qualquer forma – mesmo a que me cause inveja – me faça um bem danado, a dela me tem sido desagradável ao quadrado. É que, na dita, nunca sequer vi um sorriso, uma palavra boa, um gesto sensível. Ouso dizer que aquela boca que só faz soltar resmungos sequer um dia já sorriu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;“Espírito negativíssimo o dela”, diria a minha mãe. Dessas energias tão negativas que passam pra gente em transmissão direta e sem paradas no caminho. E, como ainda estou tentando descobrir como fazer o processo reverso, do pólo positivo ao negativo, dei uma de carranca e mandei-a embora da minha vidinha de belezas bem mais aparentes.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas, se alguém souber onde há, quero outra carranca. Sua eficiência já foi comprovada&lt;span style=""&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*21/03:  Bueno, aí está uma foto da dita. Ela até sorri! Simpatissíssima!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: center;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-Upr3oo81I/AAAAAAAAAK8/xUgWAxfIUQg/s1600-h/DSCN9325.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-Upr3oo81I/AAAAAAAAAK8/xUgWAxfIUQg/s320/DSCN9325.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180592780005143378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-PUEHoo80I/AAAAAAAAAK0/0zVPdGfty6A/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-PUEHoo80I/AAAAAAAAAK0/0zVPdGfty6A/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180217163640271682" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3866190175804096512?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3866190175804096512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3866190175804096512&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3866190175804096512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3866190175804096512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/das-carrancas-e-carrancudas-da-vida.html' title='Das carrancas e carrancudas da vida'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R-Upr3oo81I/AAAAAAAAAK8/xUgWAxfIUQg/s72-c/DSCN9325.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5055609319864737667</id><published>2008-03-17T17:00:00.005-03:00</published><updated>2008-03-22T20:01:51.661-03:00</updated><title type='text'>Carona pro norte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que não falta é informação inútil nesse mundo, parafraseando a própria &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=55845&amp;amp;blog=242&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3994.dwt"&gt;reportagem&lt;/a&gt; que li. “Um mapa da ilha de Lost”, é a origem da minha tragédia de hoje. Foi assim: abri um famigerado e respeitadíssimo site noticioso e vi aquilo que já vos falei. O tal do mapa. Já não duvido de mais nada, nadinha mesmo, nesse mundo informado e deformado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem há de querer saber onde queda a &lt;em&gt;Estátua de 4 Dedos&lt;/em&gt; ou o &lt;em&gt;Cockpit do Vôo 815 Oceanic&lt;/em&gt; (e ainda saber que raios é isso)? Pior é que tem gente que quer (e sabe que raios é a coisa). Os &lt;em&gt;lostmaníacos&lt;/em&gt;, tais como os maníacos de todo gênero, não se contentam com o objetivo da diversão pura e saudável. Há que saber da “&lt;em&gt;unha encravada do Desmond até as pontas duplas do cabelo do Sawyer&lt;/em&gt;” (tá escrito lá!). Não sei quem é Desmond nem a moça de pontas duplas (porque só moças têm pontas duplas, ora!) e nem quero saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo está perdidão, as pessoas estão perdidonas e ninguém mais sabe pr’onde ir, e há gente ainda querendo dar barato no cusco, em vez de tirá-lo da procissão. Tem quem não tenha emprego, futuro, vida!, e está preocupadíssimo com os perdidos na ilha deserta e com os “heróis” trancafiados na&lt;em&gt; "casa mais vigiada do Brasil”, Bial&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu querendo mapa que me guie por aqui mesmo, nesse mundo já tão grande e tão real. Que me diga pra onde ir quando estou perdida – digamos, sempre – nesse caminho cheio de bifurcações, buracos e atalhos, e tem gente querendo seguir o coelho da Alice. Será que já se acharam por aqui ou desistiram de procurar o caminho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez mapas e bússolas não faltem. Falta mesmo achar o tal norte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5055609319864737667?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5055609319864737667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5055609319864737667&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5055609319864737667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5055609319864737667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/quero-o-caminho-pro-norte.html' title='Carona pro norte'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6549429749564658700</id><published>2008-03-08T20:51:00.013-03:00</published><updated>2008-03-16T19:31:20.826-03:00</updated><title type='text'>Prefiro sem venezianas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R9Mn7hdKeZI/AAAAAAAAAJU/QGmZcPdaX3M/s1600-h/buenos+aires+141.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175524300325288338" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; width: 223px; cursor: pointer; height: 298px;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R9Mn7hdKeZI/AAAAAAAAAJU/QGmZcPdaX3M/s320/buenos+aires+141.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eu estava sentada no ônibus, um sol danado a queimar a retina e um Chico a tocar os ouvidos e o coração. Como de costume, os olhos acompanhavam a rotina ruidosa daquele fim de tarde porto-alegrês. Iam pra lá e pra cá numa louca busca pelo conhecimento da vida alheia, dentro e fora do âmbito apertado do coletivo. Lá, viam senhores cansados numa tentativa de voltar ao lar com seus carros. Cá, gente de todo o gênero apertada em espaços desumanos. &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Daqueles muitos, detive-me em dois, apenas. O que diziam era abafado em parte pelo ronco do ônibus, em parte pela melodia &lt;i&gt;d’&lt;a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86019/"&gt;O Velho Francisco&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;. Não ouvia, portanto, o que os dois rapazes falavam à frente. E, como não sabia ler lábios, continuei sem saber o motivo que os levava a se mexerem, ora um, ora outro, num vaivém incansável de intenções silábicas. Mas também não queria saber se os engravatados falavam da iminente Brahma gelada ou da boazuda do escritório. Só sei que alguma coisa neles me causava uma curiosidade desconfortante. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Se me perguntassem, na ocasião, o porquê dessa constatação, não saberia responder. E continuei longo tempo sem saber. Só depois – mas isso bem depois mesmo – dei por conta do quanto as impressões enraizadas podem nos influenciar sem percebermos. Explicar-me-ei. Dado o fato de que alguma coisa nos incomoda, de tanto nos incomodar, chega o tempo em que já não notamos sua presença, já que se mistura àquilo tão costumeiro. Passa despercebida. Não sabemos por que a situação tão incômoda é, afinal, tão incômoda. Até descobrirmos que o estado seria outro, não fosse a presença de um essencial elemento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fiz uma brevíssima análise física e psicológica dos sujeitos em questão. Pareciam boa gente, tinham barba feita e até passavam por bonitões. Os botões das camisas pareciam colocados com cautela nas respectivas casas, e as gravatas estava bem atada. Os gestos eram leves e até pareciam sorrir com grandes dentes alvos. Enfim, ambos encontravam-se dentro das perspectivas perfeccionistas de uma virginiana convicta. Nada de errado, pois. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas, não. Alguma coisa ainda incomodava. E muito, mas muito depois, entendi que a profunda aversão que sentira estava no rosto daqueles dois. Não na expressão mas, ao contrário, na falta dela. O que me deixava contrariada naqueles dois estranhos era – riam – os óculos. Os óculos escuros, negros até não poderem mais, tapavam por completo duas faces que tornaram-se, então, inexpressivas. Incomodava-me pensar, até então inconscientemente – se é que isso faz algum sentido – que ambos conversavam, um a olhar para o outro, de óculos. Um suposto e enganoso olhar, é claro, já que me parecia impossível que vissem um ao outro com aquelas enormes vendas pretas. Não que eu tivesse algo a ver com isso, com a vida e com os olhar trocado pelos dois, mas lembrei de meus traumas e esquisitices.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os óculos, tema de seguidas interrupções de minha parte nas conversas, me incomodam seriamente. Eu paro tudo, desde a maior frivolidade até o mais profundo pensamento crítico do meu interlocutor, só para pedir-lhe que me deixe ver seus olhos. Essa tal “janela da alma” é literalmente traduzida por mim e, assim como as janelas de casa, prefiro que não tenham venezianas. Creio que tê-las abertas me parece um convite amigável a entrar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R9cHbhdKeaI/AAAAAAAAAJc/GNBtVtVAe5I/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5176614466104228258" style="margin: 0px auto 10px; display: block; cursor: pointer; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R9cHbhdKeaI/AAAAAAAAAJc/GNBtVtVAe5I/s200/separador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* Óquei. Penso em comprar um óculos escuros – coisa que nunca tive – mas prometo usá-lo só para não queimar a retina no ônibus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;**Foto: Caminito de Buenos Aires por Liza, a futura companheira de morada portenha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6549429749564658700?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6549429749564658700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6549429749564658700&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6549429749564658700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6549429749564658700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/prefiro-sem-venezianas.html' title='Prefiro sem venezianas'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R9Mn7hdKeZI/AAAAAAAAAJU/QGmZcPdaX3M/s72-c/buenos+aires+141.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-7466334664096085184</id><published>2008-03-03T15:27:00.034-03:00</published><updated>2008-03-05T17:03:56.814-03:00</updated><title type='text'>A arte de ser feminina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho me estranhado nos últimos tempos. Já não sou o que era. E pior, só sobrou em mim - salvo algumas exceções - aquilo que não queria mais ser. E, pior ainda!, tenho sido tudo quanto criticava, tudo onde prometera nunca chegar. Terrível!... Mas, enfim, tudo isso pra dizer que fui ao cabeleireiro. É, dessas coisas que parecem tão comuns a meninas/mulheres da minha idade. Para mim, como não é difícil perceber logo de cara, qualquer coisa relacionada a cabelos, pés e mãos e coisas sem relação a cérebro e coração, são perda de tempo precioso. Minha vaidade se resume ao cabeleireiro umas três vezes por ano e à manicure umas duas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De repente, no entanto, vi-me sentada na cadeira do cabeleireiro. Em frente, uma pilha de Caras. Na minha mão, uma &lt;a href="http://www2.uol.com.br/cabelos/"&gt;Cabelos&amp;amp;Cia&lt;/a&gt;, que - juro! - não sei como foi parar ali. Numa tentativa de não parecer &lt;em&gt;cult&lt;/em&gt; demais naquele ambiente sem propósito de ser, ignorei o livro na minha bolsa e parti pro “tá na chuva é pra se molhar”. É... ali certamente ninguém me julgaria por ler Cabelos&amp;amp;Cia. Admirei, durante quarenta e cinco minutos, os cabelos e os textos de Cabelos&amp;amp;Cia (só não sei ainda dizer qual me impressionou mais: o cabelo ou o texto). Recomendo, para momentos sabáticos. Para completar minha dose de futilidade diária, abri a Caras “O melhor do Oscar”, para comprovar a tese de uma &lt;a href="http://logoescrevo.blogspot.com/"&gt;amiga&lt;/a&gt; de que é preciso muito talento para escrever muito sobre nada. Comprovado, minha cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado o momento de estranha no ninho, cusco em tiroteio, aquela coisa, até que me adaptei. Assustei-me com tal comprovação e me assusto com o que acabei de escrever. “Adaptei-me”? To doida! Há não muito tempo diria “credo!”, mas o momento ocioso com pitadas de cafuné durante duas horas me fizeram, estranhamente, um bem danado. Eu bem que estava precisando fazer nada, além de conversar sem compromisso com um simpático cabeleireiro/a e olhar gente bonita na Caras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se uma coisa eu agora sei, mais que o nome de todas as estrelas de Hollywood (e estilistas de) e de “como hidratar seu permanente”, é que ser feminina é uma arte. Ser madame de salão de beleza, então, é difícil pacas. Requer concentração, simpatia em dose antibiótica e muito colóquio frívolo pra trocar durante horas a fio. Sem falar na paciência com aquilo chamado "homem", que nunca repara no resultado do seu esforço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assim, como experiência singular, não foi difícil. Durante duas horas, fui feminina com uma classe admirável, não posso negar. Mas pra chegar à feminilidade a nível madame, e em tempo integral, eu precisaria de muito treino, já que talento me falta. Mas, não. Nada de treinos, nada de salão, nada de frescuras. Essa confissão sem vaidades faz parte do processo de cura. Já me sinto melhor, até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173603132352766818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R8xUo1C8I2I/AAAAAAAAAJA/1GQpWLzqamg/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-7466334664096085184?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/7466334664096085184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=7466334664096085184&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7466334664096085184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/7466334664096085184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/arte-de-ser-madame.html' title='A arte de ser feminina'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R8xUo1C8I2I/AAAAAAAAAJA/1GQpWLzqamg/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2126515656655279797</id><published>2008-03-03T14:01:00.004-03:00</published><updated>2008-03-04T17:29:17.757-03:00</updated><title type='text'>Receita</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R8wwn1C8I1I/AAAAAAAAAI4/WHD284bjbbo/s1600-h/sopadeletras.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173563532754297682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R8wwn1C8I1I/AAAAAAAAAI4/WHD284bjbbo/s400/sopadeletras.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entrei numa onda aí bem interessante - ou melhor, sopa. A tal de &lt;strong&gt;Sopa de Letras&lt;/strong&gt;, uma proposta bem legal, com blogs bem legais de colegas bem legais. Enfim, é legal dar uma olhada.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Agora só falta essa que vos fala botar a mão na massa e atualizar suas nuanças.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://www.sopadeletras.jor.br/"&gt;&lt;strong&gt;Clique aqui para conferir.&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2126515656655279797?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2126515656655279797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2126515656655279797&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2126515656655279797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2126515656655279797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/03/sopa.html' title='Receita'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R8wwn1C8I1I/AAAAAAAAAI4/WHD284bjbbo/s72-c/sopadeletras.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-93682144828555047</id><published>2008-02-14T17:00:00.005-02:00</published><updated>2008-02-15T14:41:32.208-02:00</updated><title type='text'>Nós, os evangelistas.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vastos não são meus conhecimentos daquilo que é escrito. Digo, não por tantas vezes folheei um livro, não tantas que façam de mim grande entendedora daquilo que trazem. A leitura é, mais ou menos e em alguns casos, proporcional ao tempo de vida, e eu só vivi duas décadas e alguns meses. Sei somente, portanto, dizer do que gosto e do que não. E sei, também, usar a leitura para pensar – ou desenvolver o que já foi pensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas que aprendi com livros foi não os julgar pela capa. É uma boa lição de vida, mesmo que você nunca mais olhe para um livro. Na estante da minha mãe, avistava um tal evangelho segundo o protagonista de todos os evangelhos. E, embora ler a Bíblia seja um objetivo da minha vida literária, não me apetecia a idéia de abri-lo. Minha leitura de “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi o resultado das adoradas aulas de literatura da faculdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ler &lt;em&gt;O Evangelho&lt;/em&gt; não é mais difícil que a explicação a ser dada sobre ele quando lhe é perguntado “estás lendo a Bíblia?”. &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;O Evangelho&lt;/span&gt;, a começar, embora aspire a ser a releitura da Bíblia, jamais seria aceita como tal. Isso porque Saramago, que se diz evangelista, foi contra alguns preceitos canônicos e, portanto, mundiais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele escreve de forma simples – e muito bem elaborada, diga-se de passagem – &lt;em&gt;a fim de que reconheças a solidez da doutrina em que foste instruído&lt;/em&gt; (citando, ironicamente, o evangelho de Lucas). Escreve o que, para muitos, é tão óbvio, mas para o mundo doutrinado em que vivemos não é. &lt;em&gt;O Evangelho&lt;/em&gt; insere Jesus numa perspectiva muito mais realista, viabilizando uma versão mais aceitável de sua existência. Já que, num mundo em que já é difícil acreditarmos um nos outros, é difícil acreditarmos numa realidade fantástica – oportuna a alguns interesses – vivida pelo mártir cristão. Difícil, num mundo tão repleto do real.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos de nós – a maioria, eu diria –, da nova geração um pouco mais esclarecida, desacreditam da doutrina que foi pregada/imposta durante mais de dois milênios geração após geração, com possibilidade de escolha quase nula. Muitos de nós foram batizados numa religião (qualquer que seja ela) não porque queriam. Mas, o que faz de muitos de nós diferentes é a possibilidade de levantar o dedo e questionar. Isso porque, talvez, estejamos nascendo cada vez menos condenados à cegueira. E nos perguntamos por que, afinal, enquanto milhares morrem por AIDS, é-se contra o uso de preservativos. Enquanto vidas podem ser salvas, é-se contra a utilização de células-tronco. Enquanto a religião "prega a paz", nada faz para conter guerras em seu nome. E enquanto a fome mata mais do que guerras, o Papa veste-se a fios de ouro (literalmente). E, por que, afinal, essa realidade tão racional deve passar por aprovação espiritual (e de uma só religião).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;José Saramago foi um dos primeiros a levantar o dedo publicamente e com ousadia, não somente para questionar, como também para propor uma alternativa. Escritor que sequer fez mais que o ensino médio e provavelmente não sabe tantas línguas quanto o Papa - embora lido em muitos países - , tenta racionalizar um pensamento, faz repensar uma doutrina cada vez menos praticada, colocando-a num patamar bem mais aceitável à razão. Se a razão não aceitar, tê-la usado já é meio caminho nesse caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SppVYCJxI/AAAAAAAAAIg/BYe_JS4aK60/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166941200078481170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SppVYCJxI/AAAAAAAAAIg/BYe_JS4aK60/s200/separador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-93682144828555047?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/93682144828555047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=93682144828555047&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/93682144828555047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/93682144828555047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/02/ns-os-evangelistas.html' title='Nós, os evangelistas.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SppVYCJxI/AAAAAAAAAIg/BYe_JS4aK60/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5683683849158163711</id><published>2008-02-06T15:00:00.002-02:00</published><updated>2008-02-14T18:53:21.926-02:00</updated><title type='text'>A vida é para especialistas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vida é como bula de remédio: decifrável somente por especialistas. Tudo bem se alguém me disser que compreende uma bula. Tratarei, pois, do assunto a partir da minha ignorância sobre as bulas e a vida. A vida, e tudo aquilo que ela abrange, é hoje por demais complexa para seres normais (quem dirá para jornalistas, que só sabem de tudo um pouco e muito de nada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das minhas leituras diárias, uma frase me elucidou o pensamento. Dizia nela que a História é, hoje em dia, qual um bicho de sete cabeças para as pessoas. A História (essa com H maiúsculo, hoje tratada por “estudo”) parece distante da nossa realidade, quando, na verdade, É a nossa realidade. Por ser tratada para fins acadêmicos é somente escrita e difundida no meio. Minha mente, então, iniciou uma percepção daquilo que, para mim, sempre fora tão lógico. Descobri que a vida, que me parecia simples, não é nada menos que uma realidade complexa fantasiada para nosso simplório entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim acontece com tudo. Uma obra de arte, por exemplo, já não pode ser admirada pela sua pura beleza, pois sempre leva consigo, bem escondidinha, uma explicação absurdamente abstrusa (feita por, adivinhem?, um especialista na coisa). Elas já não são compreensíveis por si só. Digo também das pessoas. Uma pessoa já não é bonita e simplesmente bonita. Ela deve ter os olhos assim e a boca assado (sem falar na bunda), conforme especialistas em moda, senão, coitadinha. No tempo da minha vó, ficava-se doente por ficar. Tinha-se resfriado. Hoje, tem-se uma novíssima patologia de nome complicadíssimo, que faz o enfermo achar lindo estar doente. Vai ele, então, procurar no Google o que tem. Esse Google, por sinal, tem sido de auxílio significativo num mundo de especialistas, mas não ajuda cem por cento, já que muita coisa eles guardam pra si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento entender essa vida de especialistas. Já que não posso saber o que sabem, serei especialista em especialistas. Todos devemos ser peritos em alguma coisa, é o que parece. Talvez assim seja para que sejamos diferenciados, para sentirmo-nos melhores em alguma coisa, para destacarmo-nos em colóquios (sem que ninguém nos compreenda, é claro). Resultado é que tudo seja tratado como que distante da vida. Parece-me, até, que a própria vida está distante dela mesma. Mas isso, claro, não me atrevo a desvendar. Eles que se encarreguem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SqAVYCJyI/AAAAAAAAAIo/OiebtRAW9S8/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SqAVYCJyI/AAAAAAAAAIo/OiebtRAW9S8/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166941595215472418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5683683849158163711?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5683683849158163711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5683683849158163711&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5683683849158163711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5683683849158163711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/02/vida-para-especialistas.html' title='A vida é para especialistas'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R7SqAVYCJyI/AAAAAAAAAIo/OiebtRAW9S8/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2688910546171163543</id><published>2008-01-25T21:00:00.001-02:00</published><updated>2008-02-13T14:59:14.651-02:00</updated><title type='text'>Entre espantos e encantos, fico com Buenos Aires.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jsQXp0ccI/AAAAAAAAAII/5CaTDGUOSTo/s1600-h/HPIM7520.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159133139124384194" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 229px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 306px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jsQXp0ccI/AAAAAAAAAII/5CaTDGUOSTo/s320/HPIM7520.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Buenos Aires é assim: não há de se gostar de pronto. Demorei a descobrir que nebuloso mistério encobria aquela cidade, tão ensolarada quando nela cheguei. Pois Buenos Aires não é, afinal de contas, uma representação da cidade esplêndida e apaixonante, e não entendo quem por ela se encanta à primeira vista. A Europa americana não é tudo o que dizem os folhetos e sites que vi antes de embarcar. Não assim, logo de cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;A começar, para viajantes mochileiros com pouco dinheiro no bolso e muita, mais muita!, curiosidade, o glamour encerra (ou talvez nem comece) com as longas jornadas à procura de moedas para pagar o ônibus (velho e lotado). Em Buenos Aires, dá-se um mindinho por moedas. O mais próximo da Europa que um mochileiro pode chegar é pegando um metrô e indo a museus (esses, grátis!). Mas os taxímetros, para nosso deleite efêmero, demoram minutos intermináveis a mudar - embora nos façam sentir brasileiros idiotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buenos Aires é um enigma. O algo de metrópole e a pitada de cidade pequena se percebem na sua mistura de carros (muitos) e motoristas que param na faixa de segurança, de turistas e de porteños atenciosos, de correria nas ruas e de sossego à beira do porto, da noite no &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;boliche&lt;/span&gt; e do dia nos parques. As suas &lt;em&gt;Calles Floridas&lt;/em&gt; não são assim tão floridas. Na verdade, não passam de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;calles&lt;/span&gt;. Mas um turista bem intencionado há de desculpar tal falha após conhecer os belos bosques que a cidade abriga, esse sim, repletos de flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já os argentinos, contrariando teses, não são antipáticos (exceto quando desavisados lhes pedem moedas...) e não odeiam brasileiros, sobretudo as vovós e os bebês – fato comprovado empiricamente. Alguns odeiam, óquei. Os do sexo masculino – mesmo com seus &lt;em&gt;mullets&lt;/em&gt; – são de beleza admirável. O fato de grande parcela não gostar de mulheres é mero detalhe (!). Portenho é tão enigmático e complexo quanto sua cidade. Mas o tempo os torna seres completamente apreciáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Buenos Aires dança-se tango na rua e - quem diria! - caminha-se por elas à noite. Ponto turístico é, assim, logo de pronto, um insoso objeto pontiagudo em meio a uma gigantesca avenida, chamado Obelisco. É, no entanto, turismo, também, uma ruela de simplórias casas de madeira pintadas a mil cores (bem mais interessante). Diversão para turistas, sobretudo os mochileiros, é mais que monumentos, é comer alfajores sentado na praça, um programa aconselhável ao bolso e ao prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei explicar mas, após nove dias e muitas experiências, creio que desvendei a esfinge argentina. Buenos Aires é, na verdade, mais que um amor à primeira vista, desses que nos mostram tudo de uma vez e pelos quais se vai perdendo o encanto. Buenos Aires torna-se encantadora. É poesia escondida sob as mais distintas formas, a ser descoberta a cada nova palavra. Mas há que se acostumar o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R54xZnp0ceI/AAAAAAAAAIY/N0ZMVacr1HQ/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160616539224044002" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R54xZnp0ceI/AAAAAAAAAIY/N0ZMVacr1HQ/s200/separador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2688910546171163543?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2688910546171163543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2688910546171163543&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2688910546171163543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2688910546171163543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/01/entre-espantos-e-encantos-fico-com.html' title='Entre espantos e encantos, fico com Buenos Aires.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jsQXp0ccI/AAAAAAAAAII/5CaTDGUOSTo/s72-c/HPIM7520.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-797492594311461568</id><published>2008-01-24T13:45:00.000-02:00</published><updated>2008-01-28T17:49:57.313-02:00</updated><title type='text'>Estação BsAs</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jqhHp0caI/AAAAAAAAAH4/dtHSM2r07M4/s1600-h/buenos+liza+20.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jqhHp0caI/AAAAAAAAAH4/dtHSM2r07M4/s320/buenos+liza+20.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5159131227863937442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Com um &lt;em&gt;pomelo&lt;/em&gt; em uma mão e um &lt;em&gt;alfajor&lt;/em&gt; na outra, eu vi as estações passarem como uma recordação já remota. Sabia que, como tudo o que fosse portenho, o metrô teria um fim. Foram-se passando as estações enquanto esperava um milagre me tirar daquele sufoco, que alguém aparecesse para me dizer que nada aconteceria, que eu poderia ficar o quanto quisesse. Sem milagres e com uma mochila nas costas, desci sob a avenida La Plata, desolada e ameaçando soltar uma lágrima pelo olho direito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cada passo, uma lembrança dos passos dados naqueles nove dias que mudaram vidas. A minha e, estou certa, a daqueles tantos e de tantos lugares do mundo. A cada lembrança um quê de delírio. Pensei, por alguns instantes, que tudo fora um sonho e que em breve acordaria. Quem sabe assim a lágrima não escorresse e eu estivesse livre de toda a dor. Mas, não. Queria chegar ao albergue e ver que os amigos e o quarto bagunçado estavam ali. Para a despedida, mas ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A lágrima não caiu. Não até entrar no táxi e ver as quatro mãos que se despediam&lt;em&gt; &lt;/em&gt;se afastarem. Queria aproveitar meus últimos minutos de alegria e os bons ares que me restavam respirar. E respirei. Bem fundo e com força, pra não mais perdê-los. Estarão sempre aqui. Os ares e os amigos daquela estação na qual desci e queria nunca mais embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R54w9np0cdI/AAAAAAAAAIQ/nrhanqtrtrA/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R54w9np0cdI/AAAAAAAAAIQ/nrhanqtrtrA/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160616058187706834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-797492594311461568?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/797492594311461568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=797492594311461568&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/797492594311461568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/797492594311461568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/01/estao-bsas.html' title='Estação BsAs'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R5jqhHp0caI/AAAAAAAAAH4/dtHSM2r07M4/s72-c/buenos+liza+20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3192693490806803748</id><published>2008-01-10T15:35:00.000-02:00</published><updated>2008-01-10T16:15:22.703-02:00</updated><title type='text'>Também me entrego à incoerência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sim, também me entrego, como todos de minha geração. Sou incoerente até ao dizer que não me apetecem incoerentes, e me apercebo que também sou. Sou mais que os outros, pelo visto. É normal, pois. Já que todos um dia descobrimos prazer em algo que, até então, nos era repugnante. Nos rendemos, então, ao pecado d’alma. Ao pecado criado por princípios durante toda uma extensa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que de tanto falei e tanto zombei de vãs criaturas que se deliciam ao rolar sobre máquinas tão ruidosamente úteis. Eu, que em minhas viagens me perdi em longos pensamentos no banco ao lado enquanto outro então me conduzia. Eu, que nunca quis acelerar, frear e, menos ainda, mudar a marcha, me rendi. Rendi-me à doce e perigosa diversão automobilística. Eu, que sempre considerei carros armas poluidoras disfarçadas de utilidades modernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a divertir-me, assim como faço com quaisquer pequenas novidades, com a boba atividade de acelerar-frear-acelerar. Mesmo que muito rapidamente cansada, minha adrenalina, usualmente a níveis desprezíveis, tem percorrido meu corpo durante as aulas de direção. Desde que, logo na segunda aula, fui batizada na incrível aventura de conduzir aquela arma na maior avenida da cidade, não mais quis cessar. E, então, todas as manhãs, logo após o sol nascer e antes mesmo dele torrar a pele, lá estou com um sorriso no rosto e um volante nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me, creio, como que poderosa, madura, gente grande. Eu, que sempre achei que tal alegria pertencesse à área infantil do cérebro humano. Breve, eu, tão inocente, inofensiva, inóspita, terei uma arma a meu poder. Breve... se eu passar no exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos, talvez evite encontrar o ingrato motorista de coletivos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153913109711476370" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4ZgqquU1pI/AAAAAAAAAHc/3uKCox3DGkU/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3192693490806803748?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3192693490806803748/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3192693490806803748&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3192693490806803748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3192693490806803748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/01/tambm-me-entrego-incoerncia.html' title='Também me entrego à incoerência'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4ZgqquU1pI/AAAAAAAAAHc/3uKCox3DGkU/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-1124785472151796893</id><published>2008-01-07T19:32:00.001-02:00</published><updated>2008-01-08T19:20:02.469-02:00</updated><title type='text'>Logo eu, que nem me estresso!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gozo de alto poder de abstração, faculdade que me salva de qualquer tipo de aborrecimentos alheios. Encaixo-me em todas as designações pacíficas. Não peço briga, não me intrometo em briga de outrem, sequer levando a voz a decibéis muito elevados, para permanecer no meu estado zen. Mas descobri que, sim, existem coisas que fazem de mim um ser irracional e neurótico. &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Motoristas de ônibus. Eis o que me faz perder a calma quase budista. No caso, foi um. Unzinho só fez de mim a pessoa mais injuriada por poucos e tão longos minutos. Um, somente um, motorista de coletivos porto-alegrenses conseguiu um milagre que nem a escola de samba instalada no fundo do meu prédio consegue.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Assim deu-se o fato. Foi num fim de tarde porto-alegrense (traduz-se: trinta graus Celsius e muito trânsito). Um cristão, após algumas horas de trabalho (a trinta Celsius) e poucas de sono, deseja nada além do que um banho e uma almofada bem fofinha para se recostar. Para tal prêmio de consolação, no entanto, algumas barreiras são necessárias. E então que chegamos ao famigerado ônibus.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ônibus já são estressantes por si só, graças a sua incrível capacidade de lotar, aos vovôs (que sempre os tomam em horário de pico) e à longa espera por sua chegada. Mas, até aí, minha concentração quase budista me auxilia e me dá forças a repetir o sobe-desce quotidiano. Pois então, depois de vinte anos de passageira e muita história pra contar, cheguei ao cúmulo do absurdo de um motorista, cujo único e simples trabalho é acelerar, frear e, por vezes, sorrir, se recusar aos dois últimos itens. Não creio que alguém não tenha capacidade para fazer os três.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Então, foi assim. O funcionário, de quem reclamei chorosamente (e, eis meu problema: eu quase choro quando reclamo), reclamou por, simplesmente, ter que parar o coletivo, fonte de seu sustento. Outrora já reclamara dele por sua extraordinária incapacidade de pisar no freio, fato que me fez esperar mais alguns longuíssimos minutos por outro mais gentil. E isso se repetiu por três vezes. Na quarta tentativa, quando enfim ele parou, reclamou por tê-lo feito. Seu resmungo fez-me alçar meus decibéis a níveis nunca dantes por mim imaginados perante os quarenta e tantos passageiros.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pensei, imediatamente, na imbecilidade de quem não dá valor a isso chamado emprego. De certo, não estava feliz o coitado, que trabalha durante o dia todo e ganha dinheiro. Realmente, ele tem direito de reclamar por fazer uma tarefa, quase nada importante no seu trabalho: a de parar. Eu só fiz ajudá-lo, pois. Liguei e - chorosamente - disse à empresa tudo aquilo que, por não ter saído completamente da minha calma budista, não atinei em dizer ao estressado a, pelo visto, estado permanente. O meu, ao menos, é efêmero. Bastou um banho e uma almofada bem fofinha pra me recostar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E logo eu, que nem me estresso!&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153153136723285618" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4OteauU1nI/AAAAAAAAAHM/l_NylGJlrzE/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-1124785472151796893?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/1124785472151796893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=1124785472151796893&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1124785472151796893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1124785472151796893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2008/01/logo-eu-que-nem-me-estresso.html' title='Logo eu, que nem me estresso!'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4OteauU1nI/AAAAAAAAAHM/l_NylGJlrzE/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6764057698763741250</id><published>2007-12-28T15:48:00.000-02:00</published><updated>2008-01-08T15:09:21.325-02:00</updated><title type='text'>Por um ano diferente</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;2008 há de ser diferente. Já que todos dizem que deve ser, óquei!, há de ser. Entendi, na minha mais simplória interpretação dos colóquios, escritos ou falados, dessa época do ano, que de nada vale o que foi, só o que será.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A começar, eu juro, juro mesmo, não fazer a listinha de todos os anos. Listinhas aquelas que servem não para um bom ano, mas para um péssimo fim de ano. Listinhas só são úteis para chegarmos à simples conclusão do quanto somos bobos e que jamais cumpriremos metade do que escrevemos. A começar, 2008 não terá listinhas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de não fazer listinhas, também não farei regime, nem intercâmbio, nem... Na verdade não farei nada, já que nada estará na listinha e, portanto, nada terei de cumprir. Não precisarei ler mais, nem ser mais solidária, nem mais estudiosa, já que tudo será diferente... e não haverá registros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Em 2008 vou dizer adeus aos preceitos e princípios. Não serei organizada, não serei correta. Na verdade, acho que não serei nada! Já que nada registrarei. Talvez não queira fazer aniversário, não queira dar oi, não queira nem comer. Um adeus às regras! Um adeus ao que foi bom, embora passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano que adentrará, não vou me apaixonar, já que será um ano diferente de todos. Não vou abraçar, não vou sorrir, nem serei responsável. Também não vou gostar do que faço, do que estudo e deixar pra lá essa coisa de otimismo. Talvez eu também não queira existir, nunca se sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou fazer tudo diferente do que até hoje fiz. Tudo de cabeça pra baixo, pra não repetir 2007. Vou dizer pra mim mesma que 2007 não foi um bom ano, e que não alcancei não o da listinha, mas coisas ainda melhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não farei coisas novas, para que não me arrisque a errar. E não seguirei nada do que disse ou pensei até hoje (eu disse NADA!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não falarei a palavra não. Não não não! Juro que não falarei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, repito, não farei essa bobagem de listinha...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153153652119361154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4Ot8auU1oI/AAAAAAAAAHU/0hfFeqNn8R0/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Pensei em muito a escrever para desejar todas aquelas coisas boas para mais um início de ano que, embora alguns não acreditem, reinicia tudo. Reinicia desejos, votos, listas! Além de reforçar. Reforça amizades, amores, desejos e listas também! Mas li tanta coisa, gostei de tanta coisa, que não me atrevi ao trivial, e me rebelei (um dos itens da minha lista: a rebeldia!... ei! eu disse lista?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Uma das coisas que li e gostei, e que gostaria de eu ter escrito, e que, é uma promessa de Ano Novo!, eu ainda escreverei tão bom quanto, é &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=40299&amp;amp;blog=219&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3994.dwt"&gt;um texto do David Coimbra&lt;/a&gt;, que, faça um bem para se fim de ano e comece bem o próximo: leia! &lt;a href="http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&amp;amp;uf=1&amp;amp;local=1&amp;amp;template=3948.dwt&amp;amp;section=Blogs&amp;amp;post=40299&amp;amp;blog=219&amp;amp;coldir=1&amp;amp;topo=3994.dwt"&gt;(aqui)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;Um Ano Novo maravilhoso e cheio de clichês a todos!&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"Neste fim de ano, o que desejo a todos é isso, que o passo seja certo, que a palavra seja macia, que o gole valha a pena, que o perdão seja pedido. E concedido."&lt;/span&gt; (David Coimbra)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;[Atualmente, atribuindo a boa leitura a textos alheios, já que aqui a coisa tá feia... Mas em 2008 prometo escrever melhor. Tá na lista! :D]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6764057698763741250?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6764057698763741250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6764057698763741250&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6764057698763741250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6764057698763741250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/12/por-um-ano-diferente.html' title='Por um ano diferente'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R4Ot8auU1oI/AAAAAAAAAHU/0hfFeqNn8R0/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2174283734842326978</id><published>2007-12-20T14:40:00.000-02:00</published><updated>2007-12-20T14:53:33.725-02:00</updated><title type='text'>Cada coisa em seu lugar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Prevejo meu futuro. No meu casamento, uma amiga fará um discurso no qual enfatizará: "ela é um amor de pessoa, muito dedicada e bábábá... mas é chata de tão organizada". Óquei, a parte do "chata" fica por conta. Mas o "organizada" vai sempre imperar. Em algum amigo secreto, em algum Natal, em algum lugar do mundo, há de se pedir: "uma palavra-chave sobre o seu amigo". E o que dirão eu já sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu me definiria diferente, e assim diria: "praticidade". Eu sou prática, e nada além. As coisas no lugar não passam de um meio de instituir a organização sobre a bagunça. Organizar por fora, numa tentativa de organizar dentro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Gabriel García Márquez, que, não fosse organizado não seria quem é, escreveu*, sob seu alterego, o que explicarei quando do tal amigo secreto – aquele da palavra-chave:&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir ás minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio".&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;* Em &lt;em&gt;Memória de Minhas Putas Tristes.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5146098282710827666" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2qdH3g6ApI/AAAAAAAAAHE/RCeAtQngzcM/s200/separador.jpeg" border="0" /&gt; &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2174283734842326978?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2174283734842326978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2174283734842326978&amp;isPopup=true' title='51 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2174283734842326978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2174283734842326978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/12/cada-coisa-em-seu-lugar.html' title='Cada coisa em seu lugar'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2qdH3g6ApI/AAAAAAAAAHE/RCeAtQngzcM/s72-c/separador.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>51</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3009901074521544413</id><published>2007-12-19T14:35:00.000-02:00</published><updated>2007-12-19T19:46:34.571-02:00</updated><title type='text'>Quem acredita em Noel?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na correria da minha primeira semana de férias – sim, eu disse correria – resolvi ceder alguns minutos do sagrado almoço à curiosidade. Seria hipócrita se disesse que minha ida à sede dos Correios era a mais pura intenção de boa moça. Fui pra ajudar, também; mas fui mesmo “dar uma conferida”, no meu mais alto grau de curiosidade jornalística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As muitas cartas ainda não atendidas, no último dia em que estariam ali, me despertaram um desejo imediato de ser Papai Noel ou, em último caso, ser rica. Consolada em não ser nem um nem outro, li e reli “Querido Papai Noel” em letrinhas tremidas. Peguei uma carta na medida do meu bolso e do meu tempo, e assim dizia:&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;“&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senhor Papai Noel sou 1 menino de 3 anos. Moro com minha avó que é papeleira. E é viúva. Papai Noel será que o senhor pode me dar uma roupa e calçado &lt;/span&gt;(aqui, um Ç riscado sobre o S) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;e se possível uma cesta de comida pois se for atendido fico muito agradecido e feliz. Meu nome é Enrique moro Vila Armonia (número-tal, rua-tal)&lt;/span&gt;.” (sic)&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Não fosse o orgulho e a vaidade, uma lágrima teria manchado aquelas palavras escritas com tamanho esforço e vontade. E senti vergonha. Senti vergonha da minha falta de esforço, da minha falta de vontade. Deixei pra última hora e, por isso, só poderei ser Papai Noel pro Enrique. Pena o Enrique não saber que isso é recíproco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Estava no e-mail que recebi da Liza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na vida a gente passa por três fases&lt;br /&gt;- A primeira quando acreditamos no Papai Noel;&lt;br /&gt;- A segunda quando não acreditamos;&lt;br /&gt;- A terceira quando somos o Papai Noel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mGH3g6AjI/AAAAAAAAAGU/WiIOYgY8UWE/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mGH3g6AjI/AAAAAAAAAGU/WiIOYgY8UWE/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145791518966678066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3009901074521544413?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3009901074521544413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3009901074521544413&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3009901074521544413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3009901074521544413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/12/na-correria-da-minha-primeira-semana-de.html' title='Quem acredita em Noel?'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mGH3g6AjI/AAAAAAAAAGU/WiIOYgY8UWE/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4847058019206249783</id><published>2007-12-11T20:20:00.000-02:00</published><updated>2007-12-19T19:46:03.739-02:00</updated><title type='text'>Uma Janela para o Futuro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Alta definição. Interatividade. E mais um montão de coisinhas que a gente não sabe pra que serve. Não, não falo da vida. Falo da TV Digital mesmo. O futuro, a evolução do homem chegando às nossas casas! Impressionante... A tal TV Digital só não é perfeita porque ainda não busca a cervejinha gelada. A imagem é perfeita, “como se estivéssemos olhando pela janela”, foi o que disseram no jornal.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pois, então. Pensei que a TV era um meio de informação, entretenimento, para momentos de ócio. Riam de mim. Sou ingênua. Aquele aparelho em cima da estante da minha sala, quem diria!, é muito mais do que parece. É nela, então, que enxergamos e interagimos com o mundo? É nela que conhecemos a realidade? Pensei que fosse por aquele buraco no qual encaixaram um vidro.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nossas janelas, agora, não servirão mais para ver passantes e dar “olás”. Aliás, para que sairmos de casa? A janela em cima da estante já mostra tudo. Mostra com mais detalhes a careca do Romário e as rugas da Glória Maria (que vai gastar mais com maquiagem, coitada). Fora a interatividade. Só com ela " vai ter diálogo", disse a família Nascimento. É a realidade ao alcance do controle remoto (e ai dele que estrague!). &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Alguém ainda se debruça na janela para ver quem passa? Exceto a senhorinha que o faz desde a era da não-televisão, não – e olhe lá. Já que nossas janelas estão fechadas a mais não poder para evitar assaltos, vamos à janela em frente ao sofá. Na janela do passado vê-se mazelas, vê-se sofrimento e dor. É feio. Faz-se melhor ver – em alta definição – o mundo colorido da novela das oito e, credo!, as rugas da Glória.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não condeno. Também não gosto de ver a vila sob minha janela todas as manhãs, mas vejo. Também, creio, janelas com grades não devem oferecer tão boa vista. É... a janela digital é mais segura - e pode ser admirada do conforto do sofá. Muito adequado...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mQ-3g6AkI/AAAAAAAAAGc/adwzVT_LuTo/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mQ-3g6AkI/AAAAAAAAAGc/adwzVT_LuTo/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145803458975760962" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4847058019206249783?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4847058019206249783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4847058019206249783&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4847058019206249783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4847058019206249783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/12/uma-janela-para-o-futuro.html' title='Uma Janela para o Futuro'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mQ-3g6AkI/AAAAAAAAAGc/adwzVT_LuTo/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-9206679004416522081</id><published>2007-12-07T17:35:00.000-02:00</published><updated>2007-12-19T19:47:49.771-02:00</updated><title type='text'>No português é tudo igual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em blockbusters a gente até nem liga mais. É normal ligar a TV chuviscada – ainda não digital e não interativa, portanto, só opcional no liga-desliga – nas segundas à noite e ouvir as mesmas vozes. Já não ligo. A Julia Roberts fala minha língua vernácula igual à Meg Ryan? Óquei, é filme dublado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devia ter-me abstido, no entanto, de ligar a TV naquela quinta à noite quando, feliz da vida, ouvira anunciar um de meus filmes preferidos e, ironicamente, francês. Não era um blockbuster, mas uma obra-prima. E obras primas são feitas para serem apreciadas em sua íntegra beleza. Nada de traduções. Como a um quadro que se olha e se interpreta a seu bel prazer e, como quisessem estragar seu encanto, um guia lhe explica o que o “autor quis dizer”. O autor... sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só sei que não devia ter ligado a TV e, assim, não teria ouvido Audrey Tautou falando mais ou menos como uma “queridinha da América”. Seria engraçado, não fosse decepcionante. Os cenários eram os mesmos, as cores eram as mesmas, os fantásticos personagens eram os mesmos... mas não eram. Foi-se tudo o que outrora fora. Era simplesmente um filme americano em português. Todo o encanto perdido pela falta do tal &lt;em&gt;mot just&lt;/em&gt; balzaquiano. Por um excesso de letras desnecessárias que ali estão apenas para que preencham um espaço vazio e que a boca não se mexa sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo acontece com os livros, mas nisso há de ter mais tato – e saber a língua-mãe do autor. Eu ainda não tenho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei... só sei que tive dó de quem assistia ao filme pela primeira vez e não teve, nem por um momento, o gostinho que eu tive... até aquela quinta à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRX3g6AlI/AAAAAAAAAGk/qkYsG-qzqXA/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRX3g6AlI/AAAAAAAAAGk/qkYsG-qzqXA/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145803888472490578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-9206679004416522081?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/9206679004416522081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=9206679004416522081&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/9206679004416522081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/9206679004416522081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/12/no-portugus-tudo-igual.html' title='No português é tudo igual'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRX3g6AlI/AAAAAAAAAGk/qkYsG-qzqXA/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6255260268821416349</id><published>2007-11-27T20:17:00.000-02:00</published><updated>2007-12-19T19:48:48.273-02:00</updated><title type='text'>O dia em que voltei ao passado</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi num domingo, como costumava ser há dez anos ou mais, mas também podia ser uma quarta. O lugar já não era a casa da vó em Santana – nem a pseudo-casa-da-vó na capital –, era mesmo um restaurante, uma dessas galeterias quaisquer, mas isso também não importava. A comida não era feita pelas genitoras faladeiras na cozinha apertada da minha casa, nem na da minha tia. Fingi não perceber esses detalhes. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O motivo era o aniversário de um tio, mas a maioria ignorava o fato – não se ouviram felicitações. Primos, tios e agregados. Daqui, de Santana, da Terra dos Esquecidos. Não foram todos - e isso fiz questão de perceber. Então (quase) todos foram prestigiar o solene e remoto momento que – não disseram, mas é certo – haviam extraído da memória: o encontro familiar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça doía e pendia ora para um lado, ora para outro, em vias de ser desativada pelo sono. Mas aquele era um dia especial. Não era único, era melhor que único. Era uma lembrança boa que se concretizava em sorrisos outrora de Natais, Páscoas e almoços dominicais. Agora eram só sorrisos de saudade, de bom-te-ver.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Fingimos, por largas horas, que éramos o que fomos, embora soubéssemos que não éramos mais. Mas um disparate à toa não faz mal a famílias felizes. E assim, fomos crianças, irmãos, amigos novamente. A diferença é que sabíamos mais sobre computadores, filosofia, arquitetura. Sobre a vida, embora alguns tentassem fingir que não. Ninguém queria pensar em presente durante aquele passado bom.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Com a cabeça dorida, me conformei em descansar a fala. Só olhei e vi: de fato, não éramos os mesmos. Éramos mais do que fomos. Não menos por vermos pouco uns aos outros, não menos por nos abraçarmos pouco ou por não estarmos na casa da vó. Éramos mais. Mais saudade, mais afeto, mais família do que nunca. &lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRqng6AmI/AAAAAAAAAGs/Dm7m-thqSBM/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRqng6AmI/AAAAAAAAAGs/Dm7m-thqSBM/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145804210595037794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6255260268821416349?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6255260268821416349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6255260268821416349&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6255260268821416349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6255260268821416349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/11/o-dia-em-que-voltei-ao-passado.html' title='O dia em que voltei ao passado'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mRqng6AmI/AAAAAAAAAGs/Dm7m-thqSBM/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5050340955650636589</id><published>2007-11-05T17:50:00.001-02:00</published><updated>2007-12-19T19:49:31.910-02:00</updated><title type='text'>Psicologia Espelhar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu disse “ai tiiio!”, e ele me fitou como se a pecadora fosse eu. Mas meu ato impulsivo de juntar o papelzinho devidamente compactado (para que a sujeira parecesse menor) não foi só pensando nos meus netos. Na verdade, creio que sequer pensei. Só fiz. Porque, combinemos, não há que pensar diante de um papel voador cujo destino não é a lata verde. Há que agir!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Passada minha vontade de dizer barbaridades ao grosso vovô careca, então, sim, eu pensei. Pensei na desfaçatez humana sob aquela figura a quem palavra “respeito” – sem falar em “lixeira” – parece inexistir. Reconhecem-se as pessoas pela origem de seu lixo. Traduz-se “lixo no chão = desrespeito”. Sem falsa demagogia, carrego o meu até visar a lata. E garanto, não é difícil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;O tio me olhou de revesgueio até virar a esquina como se nada entendesse. Creio que não entendia (acreditem! algumas pessoas têm tremenda dificuldade de captar o óbvio). Talvez tenha esperado em vão que eu me rebaixasse ao nível do seu ato e gritasse um palavrão horroroso. Mas meu bom exemplo se estendeu até aí.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Até senti um breve orgulho de minha pessoa. Mas meu lado anjinho da consciência sussurrou que nada mais fiz que minha obrigação de gente consciente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;span style=""&gt;É simples. Funciona assim: respeite. Não dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mR1Xg6AnI/AAAAAAAAAG0/CTnEMDeIeys/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mR1Xg6AnI/AAAAAAAAAG0/CTnEMDeIeys/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145804395278631538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5050340955650636589?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5050340955650636589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5050340955650636589&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5050340955650636589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5050340955650636589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/11/psicologia-espelhar.html' title='Psicologia Espelhar'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mR1Xg6AnI/AAAAAAAAAG0/CTnEMDeIeys/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-2110330717908762771</id><published>2007-11-05T15:12:00.000-02:00</published><updated>2007-12-19T19:50:45.312-02:00</updated><title type='text'>A Caixa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Metódica, repete incansavelmente aquele velho ritual pré-sono. A garrafa metade vazia, metade cheia de água. O som toca o mesmo disco, cujas músicas foram sistematicamente colocadas uma após a outra num ritmo inversamente proporcional à sonolência. Os livros. A persiana baixa aos quatro dedos de tocar a janela. O despertador ligado para... quarenta e cinco minutos precedentes à saída. Vinte para estender o sono, vinte e cinco para os ritos matutinos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tudo em ordem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro, periodicamente substituído sob a luz do abajur, é quase bíblico. Cerca de dez páginas por noite, às vezes mais. Depende do grau de assimilação. Comumente, na página cinco – às vezes antes – quando aquele mesmo disco toca aquele trecho da música que precisa ser cantada, os ouvidos monopolizam o setor sensorial e os olhos fogem às frases de Kafka, Márquez, Pessoa, ou seja lá o que esteja em suas mãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os olhos inquietos então olham em torno enquanto a boca arrisca um inglês um tanto distinto ao que os ouvidos escutam. E, numa dessas peregrinações da visão, depara-se com o que as palavras que outrora lera lhe fizeram esquecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela está ali, em meio às semelhantes, e parece ter a ingenuidade de suas cores. Teria, não fossem as lágrimas que já causou, pensa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca lembra do que almoçou ou da última página que leu, mas se recorda como disponibilizou cada item naquele retângulo quase quadrado. Tudo deveria estar perfeito para ali não mais estar dias depois. E ali continua há meses. Sabe que dali só sairão para uma sacola preta levada semanalmente para longe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Talvez fosse mais fácil se a quase quadrada não lhe parecesse tão útil. E tão bonita... Seria fácil fechar os olhos e manda-la junto a tudo na sacola preta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas continua a olhar. Repetidamente, olhar. E, repetidamente, ela sabe que a dor de abri-la é maior que a de vê-la. Disseram-lhe, certa vez, que sofre mais quem o faz com vagar. Mas lhe teme a idéia de que tudo vá tão rápido como veio. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Pensa que melhor lhe convém deixar a caixa fechada, tudo fechado. Volta às cinco páginas. Dorme. Ela. A caixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mSGng6AoI/AAAAAAAAAG8/wPiJCd_BsSI/s1600-h/separador.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mSGng6AoI/AAAAAAAAAG8/wPiJCd_BsSI/s200/separador.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145804691631374978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-2110330717908762771?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/2110330717908762771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=2110330717908762771&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2110330717908762771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/2110330717908762771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/11/caixa.html' title='A Caixa'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/R2mSGng6AoI/AAAAAAAAAG8/wPiJCd_BsSI/s72-c/separador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-1090574664193822923</id><published>2007-10-10T20:00:00.000-03:00</published><updated>2007-10-10T20:17:33.763-03:00</updated><title type='text'>A vida quer passar</title><content type='html'>&lt;div id="yiv1077772144"&gt;&lt;div class="Section1"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;          &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Diz-se que, quanto mais tempo preenchido, mais tempo preenche nossos dias. É como um ciclo vicioso incessante aos maníacos por tempo preenchido, aos que depressivos quando do ócio. Preguiça entra em nosso vocabulário quando paramos e... não tenho o que fazer! é o que pensamos. Então o corpo amolece como naqueles dias abafados de cidades úmidas e, enfim, nos damos, não porque queremos, minutos de descanso. Mas o tique-taque do relógio é incansável, o tempo não pára e nós, os &lt;i&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;non-stop,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; sabemos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É bom ter feitos diários. É bom não ter intervalo de acesso, entre pensamentos úteis, para os pensamentos fúteis. É bom aproveitar dias, horas, minutos, segundos!, porque 'vai que não dá tempo pra fazer tudo!'. A vida é quase invisível aos olhos, tão rápido passa. Os segundos, afinal, foram feitos para serem sugados até o fim, ingeridos com vontade, mas a conta-gotas, para que demorem a cessar. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A pressa de viver é quase uma doença. As vítimas dessa obsessão têm o relógio como o principal inimigo da vida. Parece-lhes que, para viver, deve-se correr contra o tempo. O ideal seria quebrar todos os relógios e esquecer que as rugas estão se formando não tão lentamente, que as pernas um dia não suportarão caminhadas longas, que as pessoas não ficarão pra sempre, que temos fim. Infelizmente, esses são os pensamentos que recheiam aqueles raros momentos de ócio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A vida quer passar e tentamos inutilmente bloquear seu caminho. Esticamos um pouco aqui, outro acolá. Dormimos hoje dez minutos mais tarde, já que dez minutos rendem mais dez palavras bonitas, mais cinco páginas daquele livro, mais dois assuntos entre amigos... mais um momento. Vivemos essa vida, já que a próxima é dúvida, e a eternidade, uma tentativa vã.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;De Clarisse Lispector:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;Eu sou antes, eu sou sempre, eu sou nunca. À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:10;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-1090574664193822923?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/1090574664193822923/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=1090574664193822923&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1090574664193822923'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1090574664193822923'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/10/vida-quer-passar.html' title='A vida quer passar'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4146538726742541652</id><published>2007-10-04T16:00:00.000-03:00</published><updated>2007-10-04T19:08:42.914-03:00</updated><title type='text'>Eu nasci na época errada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Apercebi-me do erro épico cometido pelo destino quando ouvia, em certa exposição histórica, certo balaio de músicas e notícias anos 60-70. Ouvia aquilo com sorriso de criança, com o ar de alguém cuja felicidade foi encontrada no mais suposto disparate. Alguém que descobriu que esteve sempre no lugar errado, e enfim encontrou seu lugar. Mas tão logo minha alegria infantil se transformou num saudosismo senil. Voltei a minha época física quando, com dificuldade, levantei daquela cadeira cujo desenho arremetia a minha então descoberta época espiritual. Tudo e todos me pareceram demasiado incomuns, demasiado atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvindo vozes roucas e suaves, transportei-me por alguns instantes à vida universitária de meus pais, quando pensava-se duas vezes (até três) no que deixaria de ser apenas pensamento para ser fala. Os estudantes gritavam e cantavam para criticar. Os ídolos eram Chico Buarque e Beatles, e não... deixa pra lá. Eu queria, por alguns instantes mais, ouvir os reis do iê-iê-iê e, ali mesmo mexer os pés e os ombros como fazem meus pais e como nós, que não vivemos Beatles, achamos ridículo. Por muito pouco, não me deixei levar pelas músicas de protesto e não saí gritando "diretas já" no meio daquela gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acredito em outras vidas, talvez acredite porque queira crer que vivi o que nessa vida não vivi. Ainda não sei onde nem quando passei meus anos de glória, se em 20, 30, 40, se dancei o &lt;em&gt;Charleston&lt;/em&gt; ou a dança dos meus pais. Eu queria, também, ter sido hippie e ter-me vestido à &lt;em&gt;paz-e-amor&lt;/em&gt;, embora o “amor livre” e a &lt;em&gt;marijuana&lt;/em&gt; não me seduzam. Os mais variados trechos da história me aliciam insistentemente. Talvez tenha vivido todos. Talvez deva fazer regressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se minha alma não se apossou de outros corpos, nasci na época errada. Vivo como se tivesse assistido às partidas de Pelé e à viagem de Gagarin. Eu vejo e ouço como uma conservadora. Eu rejeito valores e a moda séculovinteum. Tenho espírito velho sob essa carcaça que insistiu em nascer na era dos computadores e do funk. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4146538726742541652?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4146538726742541652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4146538726742541652&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4146538726742541652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4146538726742541652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/10/eu-nasci-na-poca-errada.html' title='Eu nasci na época errada'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3014634289649733196</id><published>2007-09-18T17:00:00.000-03:00</published><updated>2007-09-18T17:27:20.972-03:00</updated><title type='text'>Bovarysmo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho o mau costume dos idealizadores. Desde o alvor da minha infância, fui levada pelos livros de história aos mundos mais longínquos da imaginação. Imagino uma terra lindamente arquitetada a meu bel-prazer. Concebo as situações a minha vontade e pessoas a meu gosto, embora esteja sempre próxima do abismo da desilusão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Súbito, vejo-me imaginando histórias. Predicados, objetos, ou o simples sujeito sem complemento causam-me estranhas sensações, e me pego criando narrativas completas. Pessoas que nunca vi são para mim aquilo que imagino que sejam, e nada mais. Sei as causas e os fins, mesmo que sequer tenha vivenciado os meios. Sei o pretérito e o futuro no meu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pequena, queria que tudo fosse do meu jeito. E meu mundo &lt;em&gt;wanna be&lt;/em&gt; era primoroso. Tudo exato e colorido. Todos diziam 'bons dias' e 'boas noites'. Todas as palavras eram belas. Não havia abóbora nem a cor roxa. Não existia dinheiro, pois era ele o causador de todo o abjeto. Eu seria eternamente criança e meus pais, eternos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando um pouco menos verde, com a cabeça no travesseiro eu vivia uma linda história de amor com direito a cavalo branco. Eu viajava e tinha amigos até do Japão. Eu sabia mais que o refrão de &lt;em&gt;Águas de Março&lt;/em&gt; e entendia o &lt;em&gt;2001 &lt;/em&gt;de Kubrick. Eu tinha lido todos os livros e acreditava em todas as pessoas, porque mesmo os políticos eram confiáveis. Conhecia-se a definição de respeito e pessoas eram mais relevantes que dinheiro. Não havia desentendimentos por convicção religiosa, política ou econômica. Nessa terra fantástica, eu entendia a mente humana...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fui longe... e caí daquele abismo. Um dia me senti estrangeira, forasteira na minha própria criação. E tentei criar um mundo não tão distante, no qual se chegasse mais rápido. Tirei daqui e dali, facilitei a chegada, mas ali não restou muito além da minha busca pelo que preenche o&lt;em&gt; nanana&lt;/em&gt; da música.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3014634289649733196?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3014634289649733196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3014634289649733196&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3014634289649733196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3014634289649733196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/09/bovarysmo.html' title='Bovarysmo'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6532713430182560373</id><published>2007-09-06T19:25:00.000-03:00</published><updated>2007-09-06T19:30:25.714-03:00</updated><title type='text'>"Bom dia, Senhor F..."</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Descobri-me refém de mais uma peculiaridade, e me estou auto-terapizando(?). Uma daquelas dificuldadezinhas nas relações interpessoais que todos temos e escondemos de outrem e de nós mesmos. Mais eis que eu revelo a minha. Não tenho medo! Arcarei com as conseqüências. Meu problema é um tanto peculiar, diria, e sempre tive vergonha de revelá-lo, embora saiba que muitos já o perceberam. Agora, então, nota-lo-ão todos. Eu... bem... não consigo pronunciar nomes. É, assim mesmo, bem esdrúxulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já costumava me enquadrar no grupo das pessoas levemente esquisitas pelos mais variados motivos, mas sempre me descobria não tão singular. Por mais que pensemos o contrário, há sempre alguém que compartilha conosco a angústia de uma peculiaridade. Como falar com um portador de óculos escuros. NÃO CON-SI-GO! Minha mente altamente desconfiada imagina os mais variados lugares para os quais meu interlocutor estará olhando. Imagino que ele não me olha. Sei que ele não me olha!(!!!) Enfim, fiquei neurótica. Mas, ao menos aí, descobri não ser única. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bem, voltando aos nomes, minha boca só os articula quando de certo grau de intimidade. Não que não saia um “ei, Fulano!”. Até aí consigo, mas só porque um “ei, psiu!” é por demais estranho. Já quando o diálogo parte para o “Oi, F...”, “Bom dia, C...”, “Obrigada, Senhor B...”, a coisa fica feia, e o bichinho da esquisitice me cutuca. Vejo a facilidade com que todos o fazem, e sinto-me ainda mais freqüentadora da seção dos excêntricos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quem dirá os apelidos! Ai céus! Apelidos pertencem ao grupo das mais extremas intimidades interpessoais. Eu não sei chamar por apelidos, assim como o fazem aquelas pessoas altamente carinhosas e queridinhas que nem passam pela fase do nome, vão direto ao apelido. Fico indignada com pseudoconhecidos que proferem meu apelido assim, logo de cara. Quem pensam que são? Critico-as. Invejo-as.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu gostaria, francamente, de falar nomes. Mesmo porque, nomes são muito bonitos e merecem ser pronunciados. Eu gosto deles por demais, não pense que não. Vou pedir, rezar pro papai do céu que me conceda tal privilégio. E se ele não me ouvir? Se não souber que lhe falo? Afinal, não sei pronunciar nomes...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6532713430182560373?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6532713430182560373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6532713430182560373&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6532713430182560373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6532713430182560373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/bom-dia-senhor-f.html' title='&quot;Bom dia, Senhor F...&quot;'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4243702956038860487</id><published>2007-09-05T00:00:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T22:48:22.170-03:00</updated><title type='text'>O dia mítico</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eis o dia do aniversário. O dia mítico. O &lt;i&gt;meu &lt;/i&gt;dia mítico. O &lt;i&gt;meu dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Dias de aniversário deveriam ser só nossos. Nossos feriados. Penso que esse é um dia só meu no qual só eu sou especial. Seu melhor amigo pode estar de aniversário no seu dia. Não importa. Esse dia é &lt;i style=""&gt;seu. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Azar o dele que tentou roubá-lo de você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Queria ter mais dias míticos por ano. Mas, quem sabe?, eles não seriam tão especiais. Para mim, aniversários são como bolinhos de chuva. São feitos uma vez por ano, e isso faz deles tão especiais e aguardados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;span style=""&gt;Um viva ao dia mítico e aos bolinhos de chuva! Agora, (ambos) só no ano que vem...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4243702956038860487?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4243702956038860487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4243702956038860487&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4243702956038860487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4243702956038860487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/09/o-dia-mtico.html' title='O dia mítico'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-8660236622198969383</id><published>2007-08-26T20:51:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T21:18:44.634-03:00</updated><title type='text'>Vou estar estando</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sabe quando um acontecimento se repete muitas vezes e nunca sabemos como proceder? Mas e sabe, pior ainda, quando você enfim descobre como proceder e o momento para o qual você está preparado não mais acontece? Pois eu sei. Esperei, esperei, e ele afinal veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando, de súbito, o telefone tocou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olá, dona Luana. Aqui é do banco M...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ai, céus!”, pensei. E o carioquês &lt;em&gt;mixto&lt;/em&gt; à agudez prosseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora foi sorrrteada e &lt;em&gt;vai extar recebendo&lt;/em&gt; uma supervantagem do nosso banco. Baxta a senhora etcétera etcétere tal e nós &lt;em&gt;vamos extar lhe enviando&lt;/em&gt; um superrrcarrrtão interrrnacional PLUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Taí! Se eu pudesse mudar uma só coisa no mundo, mudaria o telemarketing e seu venerado gerundismo. Não culpo as pobres moçoilas cariocas que me tentam com promoções furadas e erros lingüísticos. Como padres (perdão, Senhor!), elas devem participar das aulas preparatórias "Português Aplicado ao Telemarketing".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, pensei: “É agora!”. E aquele sentimentozinho (bem pequeninho mesmo, juro!) de vingança me encheu a alma. Arregacei as mangas e mandei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha... no momento não &lt;em&gt;vou estar aceitando&lt;/em&gt;. Talvez &lt;em&gt;vá estar considerando&lt;/em&gt; quando a senhora &lt;em&gt;estiver aprendendo&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;estar falando&lt;/em&gt; português. No mais: não, obrigada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai! Que alívio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;(*) Estariam meus posts virando Bosts?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-8660236622198969383?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/8660236622198969383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=8660236622198969383&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8660236622198969383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8660236622198969383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/vou-estar-estando.html' title='Vou estar estando'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-918916197170032118</id><published>2007-08-22T19:20:00.000-03:00</published><updated>2007-08-27T13:24:30.553-03:00</updated><title type='text'>O que [não] é jornalismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;" align="justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span&gt;“Não! Não quero aparecer na TV”. Eis a resposta sucessora à “jornalismo” (que sucede “o que estudas?”). Cansada de ouvir abobrinhas verdes a respeito da mais curiosa e nebulosa das profissões, resolvi amadurecê-las um pouco aos mais leigos. Àqueles cujo conhecimento jornalístico não transpõe o Jornal Nacional. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span&gt;Para começar, estuda-se mais para ser jornalista do que “a arte de segurar o microfone”. Elabora-se a notícia, pesquisa-se, entrevista-se, produz-se, edita-se... enfim, trabalha-SE! Embora não pareça que a Patrícia Poeta faça tudo isso, sim, ela faz. A gente também estuda na faculdade, e lê (muito!), e trabalha, e pesquisa, e entrevista... ufa!, e também respira, quando sobra tempo. Além disso, estudante de jornalismo é ensinado a pensar, mais do que mexer em FinalCut, Photoshop e PageMaker. E disso há provas. Nossa opinião é sempre a mais aguardada num colóquio cabeça durante um churrasco, mesmo que estejamos no primeiro mês de faculdade. Porque somos sempre "o jornalista da família".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lição número dois: não alimentamos (não todos) a pretensão de ganhar milhões fazendo megarreportagens para o Fantástico. Nem viajar o mundo aos sessenta fazendo matérias sobre as ostras famintas da Patagônia. Eu, pelo menos, quero ter uma família normal e netinhos aos sessenta e, mesmo assim, ainda ser jornalista. Porque todos os jornalistas não cabem na redação global ou no "grupo RBS", que, embora tenha cinqüenta anos, não tem coração de mãe. Os jornalistas estão nas revistas, na web, nas assessorias de imprensa. Mas os competentes, é claro. Porque você vai encontrar algum por aí vendendo bala e vai dizer "não tem mercado". Mas eu conheço advogado "vendendo bala".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais importante: jornalista tem diploma! Se não tem, sinto, mas não é jornalista. Caso fosse assim, minha mãe poderia dizer-se médica e meu pai, filósofo. E os próprios jornalistas poderiam exercer a economia, a educação física, dependendo de sua especialização. Claro, alguns não a tem. São os que sabem de tudo um pouco (e muito de nada), mas estudaram para tratar com categoria desse todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formadores de opinião, exercemos a profissão mais bonita, mais compensadora, diria o mestre Chelkanoff. Somos a profissão do futuro! E todos concordariam, se a conhecessem como conhecemos. Mas vamos deixar assim. Vai que eles descobrem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-918916197170032118?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/918916197170032118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=918916197170032118&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/918916197170032118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/918916197170032118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/o-que-jornalismo-no.html' title='O que [não] é jornalismo'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4236747695464636203</id><published>2007-08-17T19:54:00.000-03:00</published><updated>2007-09-06T20:00:34.979-03:00</updated><title type='text'>Os Gigantes (à amiga Ana)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por vezes, deparamo-nos com pessoas grandes (muito grandes!), as quais denomino &lt;em&gt;gigantes&lt;/em&gt;. Todos conhecemos um, ou vários, mas alguns não os percebem. Porque, na verdade, eles são discretos e bondosos, embora lendariamente não o sejam. Quando os reconhecem, alguns temem sua grandeza, afinal, sentem-se pequeninos e insignificantes. Mas os gigantes sequer sabem que o são, e nós, meros mortais, sempre sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias, reconheci um (ou uma). Pois, às vezes, não os conhecemos, mas os descobrimos. O meu (A minhA) estava ao meu lado. Eles costumam esconder sua grandeza bem escondidinha, são humildes. Mas quando nós, os pequeninos, precisamos de um empurrãozinho horizontal, desvendamos seu segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os gigantes têm inteligência e coração proporcionais à grandeza. Os enormes problemas lhes parecem medíocres. As pessoas baixas lhes parecem ainda menores. De fato, sequer lhes percebem, pois sua superioridade os impede. Casualmente, tropeçam no caminho, pois não enxergam pedras por onde andam. Mas não caem. Continuam sua marcha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia o que sentir diante de meu Golias quando o vi. Sabia-se frágil, e por isso se fazia forte. Admirei sua grandeza, e quedei-me sob a dúbia situação de me sentir a mais sortuda criatura, ou a mais ínfima. Decidi-me pela primeira, pois, olhando para cima, é mais fácil crescer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4236747695464636203?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4236747695464636203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4236747695464636203&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4236747695464636203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4236747695464636203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/os-gigantes.html' title='Os Gigantes (à amiga Ana)'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5426216711273295507</id><published>2007-08-09T20:44:00.000-03:00</published><updated>2007-08-10T12:34:11.275-03:00</updated><title type='text'>Ignoto-pseudo-inimigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Humanismo e Cultura Religiosa. Mais um nome pomposo para uma cadeira pomposa da pomposa Universidade. Daquelas aulas nas quais entramos prontos para sair. Na qual o relógio parece atrair constantemente os olhos, como a um imã. Coisas obrigatórias são sempre ruins, quanto mais quando se distanciam tanto dos nossos objetivos. Aparentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que Humanismo e Cultura Religiosa (vamos resumir, ok? Religião!) não chega a ser de todo mal, assim como inúmeras outras chatices a serem estudadas. Ou a serem vividas. Descobri que aquelas coisas aparentemente ruins podem ser boas. E nem sempre se distanciam de nossas verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo meu colega, “é preciso conhecer o inimigo para lutar contra ele” (frase proferida na própria aula de ´Humanismo e blá blá blá`. ). Não, a religião não é minha inimiga, que fique bem claro! Mas também não se caracteriza como grande amiga. Confesso que não sigo religiões e não pretendo seguir, embora respeite católicos, protestantes, judeus e tudo mais que vier. Mas, até minha não-crença (ou seja lá como isso se chama), deve-se basear em doutrinas, mesmo que elas sejam somente minhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doutrinas, teses, contestações provêm de conhecimento. Há alguns meses, detestava berinjela. Mas só até experimentá-la. Se é que minha comparação é compreendida. Criticar a berinjela tem relação direta com criticar religião. O que diferencia, no meu caso, é a simpatia. Procuro conhecer e aceitar ambas como são, o que não significa que goste de ambas. Atualmente, gosto só da berinjela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(*) Devaneios de um momento ocioso e oco durante o estágio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5426216711273295507?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5426216711273295507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5426216711273295507&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5426216711273295507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5426216711273295507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/ignoto-pseudo-inimigo.html' title='Ignoto-pseudo-inimigo'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3557965734590237991</id><published>2007-08-05T14:23:00.000-03:00</published><updated>2007-08-05T19:28:52.892-03:00</updated><title type='text'>Eternos Admiráveis</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No cinema, na literatura, na televisão ou na música. Temos ídolos, isso é certo. Assistindo ao mestre Chaplin e seu admirável &lt;i&gt;Führer Hynkel&lt;/i&gt; em &lt;i&gt;O Grande Ditador&lt;/i&gt;, atribuí ainda mais importância a esses seres (quase) superiores. Estavam ali, configurados num só corpo, dois dos maiores ídolos históricos. Charles e Adolf. Cada qual em seu segmento, ambos num mesmo contexto. Cada um como ídolo em suas mais distintas definições.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Chaplin foi (e é) o grande do cinema. O que fazia pensar. Que fazia rir. O que ria do ídolo Hitler, O Grande de um país. O aspirante a Alexandre. O que não deixava pensar ou rir. Opostos, mas poderosos em igual conta. Aos seus idólatras, restaram heranças a escolher (e a pensar).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os ídolos exercem poder. Os idólatras, deixam-se apoderar. Sem julgamentos negativos, que assim fique claro. Idolatrar é bom, desde que em doses homeopáticas e conscientes. Idolatrar sem exageros. Não saber o limite entre a razão e a paixão foi o grande erro dos idólatras de Werther, o melancólico personagem de Goethe (sim, idolatra-se também personagens). Ou alguns fãs de filmes de ação. Morrer ou matar, respectivamente, não é idolatria. É falta de personalidade. É burrice.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Já tive centenas deles. Idolatrei cantores, atores, escritores. Idolatro personagens (nesse caso, o mérito é de seus autores). Idolatro Chaplin, Márquez, Buarque, de Assis, Guevara. Mas, mais do que ídolos intocáveis, tenho ídolos na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ídolos são pessoas a quem tributamos respeito e afeto. São pais, mães e tios (sobretudo os meus). São amigos e professores. Todos merecedores de altares e de orações. Pessoas que conheço não só pelo que fazem, mas pelo que são. Aplicam-se a todos os contextos, segmentos e definições. São eles eternos e incontestáveis.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3557965734590237991?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3557965734590237991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3557965734590237991&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3557965734590237991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3557965734590237991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/08/incontestveis-dolos.html' title='Eternos Admiráveis'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6489280639450800045</id><published>2007-07-30T21:19:00.001-03:00</published><updated>2007-08-05T19:23:12.903-03:00</updated><title type='text'>De quando acordei chorando</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rq6AgjKOrmI/AAAAAAAAAA8/jXX0-V_nrVw/s1600-h/HPIM6577.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 192px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rq6AgjKOrmI/AAAAAAAAAA8/jXX0-V_nrVw/s200/HPIM6577.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093149525284925026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tudo pareceu real. A dor no peito era real. A angústia era real. Não sei como. Só sei que acordei chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Foi numa dessas viagens recheadas de risadas incessantes, palavras descontraídas e músicas alegres. Fugimos da realidade. Refugiamo-nos em Gramado. Eu e as amigas. Tudo era felicidade. Mas acordei chorando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Dormi bem. A cama quentinha compensava o frio serrano. Os sonhos foram bons. Mas um me fez acordar chorando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Sonhei que uma amiga (a das risadas, palavras e músicas) tinha me abandonado. Que me deixara sozinha não sei por que, não sei onde. Mas me abandonou e me deixou chorando. No sonho e no quarto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Quando acordei, ela estava ali. Ali ao meu lado, tal como havia deixado. Senti alívio. E pensei nos sonhos. Poderosos sonhos. Desses que nos fazem acordar gritando, suando... ou chorando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;span style=""&gt;Alguns dizem que os sonhos são uma junção do que vivemos. Outras, uma idéia do que viveremos. Eu prefiro que não seja nenhum dos dois. Que minha amiga não me abandone. E que eu não mais acorde chorando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6489280639450800045?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6489280639450800045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6489280639450800045&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6489280639450800045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6489280639450800045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/de-quando-acordei-chorando.html' title='De quando acordei chorando'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rq6AgjKOrmI/AAAAAAAAAA8/jXX0-V_nrVw/s72-c/HPIM6577.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-232371296216137898</id><published>2007-07-25T20:15:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T21:30:06.758-03:00</updated><title type='text'>Hogar, dulce hogar - Homenaje a una ciudad</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rqfa1DKOrlI/AAAAAAAAAA0/M8IzxoAO9HI/s1600-h/HPIM6408.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091278508681768530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rqfa1DKOrlI/AAAAAAAAAA0/M8IzxoAO9HI/s200/HPIM6408.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Um país &lt;i&gt;hermano&lt;/i&gt;. Uma história em comum. Idiomas e culturas semelhantes. Também há &lt;i&gt;gauchos y a las personas les gusta el mate&lt;/i&gt;. Ouve-se música brasileira da melhor qualidade. Há tudo o que me fascina em minha cidade. E algo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Por alguns dias, troquei os rostos melancólicos de minha fria cidade por ‘¡&lt;i&gt;Buenos días&lt;/i&gt;!’ e ‘¡&lt;i&gt;Holas!&lt;/i&gt;’ da &lt;i&gt;ciudad fría&lt;/i&gt;. Me alegrava a visão das melhores &lt;i&gt;panaderias&lt;/i&gt;, existentes em todas as esquinas. Comia &lt;i&gt;medialunas, alfajores (los mejores!), muzarelas e fainás, &lt;/i&gt;que só lá existem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Durante as noites de inverno, minha cidade pareceu-me fantasma ao caminhar a passos lentos no centro da &lt;i&gt;ciudad&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;Personas&lt;/i&gt; caminham com seus &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;mates&lt;/span&gt; e &lt;i&gt;botell&lt;/i&gt;as com água &lt;i&gt;caliente&lt;/i&gt;. Há sorrisos ao zero grau noturno dessa &lt;i&gt;ciudad&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;É inspiradora. De noite, as luzes fazem de suas muitas praças e sua arquitetura ainda mais belas. Sob a luz do sol, ou mesmo sob a chuva (que também é mais bela na &lt;i&gt;ciudad&lt;/i&gt;) os plátanos secos nessa época do ano são monumentos complementares às lindas obras humanas. Os &lt;i&gt;outdoors&lt;/i&gt; são raros. As ruas têm uma mão e os motoristas sabem o significado das faixas de pedestre. As avenidas são grandes. Tudo é muito grande. Complexo de país pequeno.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Também os sons da &lt;i&gt;ciudad&lt;/i&gt; são mais agradáveis. As palavras hispanas têm musicalidade e mesmo os palavrões parecem elogios. Caminha-se pelas &lt;i&gt;calles&lt;/i&gt;. Lêem-se &lt;i&gt;periódicos&lt;/i&gt; e vêem-se &lt;i&gt;películas&lt;/i&gt;. Comem-se &lt;i&gt;duraznos, lechugas e zapallos&lt;/i&gt;. A &lt;i&gt;lluvia&lt;/i&gt; cai sobre o &lt;i&gt;paráguas&lt;/i&gt; (palavra &lt;i&gt;preciosa&lt;/i&gt;!). O &lt;i&gt;rojo&lt;/i&gt; não é roxo, mas vermelho. E tudo são cores mesmo num dia &lt;i&gt;gris&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;A &lt;i&gt;ciudad &lt;/i&gt;tem aroma de infância e sabor de &lt;i&gt;déjá vu. &lt;/i&gt;Os &lt;i&gt;quioscos &lt;/i&gt;vendem &lt;i&gt;caramelos &lt;/i&gt;que já não existem na minha cidade. As crianças se vestem como crianças e as jovens como jovens (embora os cabelos e as roupas sejam iguais). Os &lt;i&gt;chicos &lt;/i&gt;são &lt;i&gt;muy guapos. &lt;/i&gt;Mais &lt;i&gt;guapos &lt;/i&gt;ainda&lt;i&gt; &lt;/i&gt;quando proferem as lindas palavras vindas de &lt;i&gt;Castilla.&lt;/i&gt; Os &lt;i&gt;niños &lt;/i&gt;são obrigados a ir à escola (pública!) e usam graciosos uniformes.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Queria passar o resto de meus dias na &lt;i&gt;ciudad&lt;/i&gt;, onde a palavra &lt;i&gt;‘peligro’&lt;/i&gt; é pouco pronunciada. Onde há pessoas nas noites frias. &lt;span lang="ES-TRAD"&gt;Onde se come &lt;i&gt;muy bien.&lt;/i&gt; &lt;/span&gt;Onde as casas preservam uma história e tudo é traduzido para a língua-mãe.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Senti-me &lt;i&gt;bienvenida, &lt;/i&gt;como &lt;i&gt;en mi casa. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;Amo meu porto alegre. E agora, amo Montevideo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-232371296216137898?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/232371296216137898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=232371296216137898&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/232371296216137898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/232371296216137898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/hogar-dulce-hogar-homenaje-una-ciudad.html' title='Hogar, dulce hogar - Homenaje a una ciudad'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/Rqfa1DKOrlI/AAAAAAAAAA0/M8IzxoAO9HI/s72-c/HPIM6408.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3489552028245703884</id><published>2007-07-18T13:46:00.000-03:00</published><updated>2007-08-06T21:31:20.411-03:00</updated><title type='text'>Do paradoxo estendido na areia</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Alguns pensamentos realmente me perturbam quando a cabeça enfim encontra-se com o travesseiro. Como qualquer ser humano, mesmo o mais altruísta, problemas pessoais assolam meu cérebro. A imaginação viaja a mundos só meus. Mundos egoístas. Mas, por vezes (e queria que fossem mais vezes), uma pontinha de angústia me machuca o peito. Penso que deveria ponderar sobre problemas comuns, e não só meus. Mas logo a sensação de incapacidade é mais forte. Volto ao pensamento egoísta. Sinto-me culpada.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Dos pensamentos que queria mais incômodos, e que resultassem em alguma mudança nos meus atos, é a tamanha diferença entre as pessoas. Entre seres de uma mesma raça. Longe de mim querer que o mundo seja padronizado. Queria que os pensamentos fossem padronizados, distribuídos em igual conta. Que todos tivessem direito a pensamentos tão egoístas e frívolos como os meus.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Fico perplexa – decepcionada, diria – como pessoas podem se preocupar tanto com a potência de seus carros ou com a cor de seus cabelos, ao passo que a maior preocupação de outras é sobreviver. Julgamo-nos com direito de viver nossos pensamentos privados ao passo que outros vivem privados de bons pensamentos.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Umas vivem no carnaval; outras, na fome total. Diria Herbert e Gil. E as carnavalescas não sentem culpa. Mundo tão desigual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Um desabafo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3489552028245703884?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3489552028245703884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3489552028245703884&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3489552028245703884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3489552028245703884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/do-paradoxo-escondido-na-areia.html' title='Do paradoxo estendido na areia'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-821186314318532545</id><published>2007-07-11T21:35:00.000-03:00</published><updated>2007-07-12T21:57:14.478-03:00</updated><title type='text'>‘Para pessoas baixas’</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Detesto salto alto. No duplo sentido da expressão. Saltos altos machucam o pé. E a alma. “Salto alto são para pessoas baixas. Pessoas altas não precisam de salto alto”, disse Juremir Machado da Silva em reportagem da Record. Genial, caro mestre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De fato, pessoas altas já sustentam em si altura suficiente. Não precisam subir no salto para serem maiores. Sabem permanecer no mesmo nível de outrem. Pessoas baixas sobem no salto por vezes muito alto. E, sem saber equilibrar-se nele, caem. Caem feio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Penso na humildade como a maior das virtudes humanas. Traz como companhia o respeito, a sabedoria. Sabedoria de quem tem ciência de que não sabe tudo, que tem muito a aprender.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Sabedoria de quem sabe que mais vale olhar pra frente do que pra baixo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Prefiro ser pé-de-chinelo. Pelo menos permaneço em pé... no duplo sentido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-821186314318532545?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/821186314318532545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=821186314318532545&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/821186314318532545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/821186314318532545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/para-pessoas-baixas.html' title='‘Para pessoas baixas’'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-9124040554246909423</id><published>2007-07-10T16:40:00.001-03:00</published><updated>2007-12-21T15:07:15.538-02:00</updated><title type='text'>O Melhor da Festa</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Amamos trailers. Todos nós. Trailers são aquele tipo de coisa das quais duvido que alguém não goste. Como pizza. Ou &lt;i&gt;Havaianas&lt;/i&gt;. Todo mundo gosta (ou usa). Depois do início da sessão, poderíamos tranqüilamente chegar uns dez minutos atrasados. O filme só começa após os agora comuns comerciais e eles, os trailers. Mas não! Corremos para a sala de cinema para saborear o doce gostinho de saber antes o que nos espera daqui a umas semanas. Daqui a umas semanas, então, veremos o filme cujo trailer nos fascinou. E nos decepcionaremos.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Por que os trailers são melhores que os filmes? Eis a pergunta que me perturba em todos os “dez minutos antes”. Cheguei a algumas conclusões. A seqüência de cenas no trailer é mais bonita. A charmosa e simpática voz do narrador só existe no trailer. Os melhores ângulos do Johnny Depp estão no trailer (ops!). E o mais importante: a música sempre emocionante da bela seqüência só toca no trailer. Lembro de quando vi o do Peter Pan (adoro o Peter Pan!). Não sosseguei até ver a produção na íntegra e ouvir &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Clocks&lt;/span&gt;, do Coldplay. Esperei, esperei. Nada de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Clocks&lt;/span&gt;. Gostei do filme. Amei o trailer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Inteligentes foram os produtores dos Simpsons. Revelaram que o longa não tem nada a ver com o trailer. Produziram cenas exclusivamente para o trailer? Sim, produziram. Bem mais atraente. &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não deveríamos ver trailers. Trailers estragam qualquer filme, por melhor que seja. As melhores cenas do filme estão no trailer. E pior. As melhores cenas de um filme são sempre melhores no trailer que no filme. Não digo que nunca gostaremos de um filme cujo trailer já vimos. Mas poderiam ser melhores. Outra solução: proponho que vejamos só trailers.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*Quantas vezes repeti a palavra “trailer”?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-9124040554246909423?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/9124040554246909423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=9124040554246909423&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/9124040554246909423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/9124040554246909423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/o-melhor-do-filme_10.html' title='O Melhor da Festa'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-6532543807440999858</id><published>2007-07-07T18:47:00.000-03:00</published><updated>2007-07-07T19:08:40.938-03:00</updated><title type='text'>O Ponto Final</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Penso constantemente a respeito da vida e suas razões. Queremos viver eternamente. Eu quero viver eternamente. Digo essa vida, nesse plano. Porque acredito no princípio espírita de outras vidas. Um ciclo finalizado apenas após alcançarmos a total evolução da alma. Por isso não creio que morrer (ou partir para outro estágio da alma) seja ruim. Ruim é perder alguém. Quando quem amamos parte para o outro estágio sem nos levar consigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O que faríamos para não perder quem amamos? Até onde iríamos para descobrir o elixir da longa vida e tardar perdas dolorosas? Se pudéssemos, se soubéssemos como, estou certa de que transporíamos todos os obstáculos para prolongar uma vida. Talvez faze-la eterna. Materializar o sonho de todas as pessoas que já sofreram pela morte. Ou seja, todas as pessoas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: arial;font-family:arial;" class="MsoBodyText"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por que morremos? Talvez uma questão tão pertinente quanto &lt;i&gt;por que vivemos?. &lt;/i&gt;Quem nunca refletiu sobre as razões da morte talvez não tenha pensado nas razões da vida. Talvez não tenha encontrado um sentido para a própria existência. Mas jamais compreenderemos ou aceitaremos que esta existência tenha um fim. Só sabemos que a natureza fez desse o nosso destino e assim o é.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: arial;"&gt;    &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Respeito culturas e religiões e suas maneiras de encarar idas e vindas a esse mundo. Culturas que fazem da morte um final para nossa história. Eu creio na morte como parte da vida. Como passagem deste para um lugar mais evoluído. Uma vírgula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;*Essa foi mais uma reflexão sobre Frankenstein. Para entender melhor, leia. Recomendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-6532543807440999858?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/6532543807440999858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=6532543807440999858&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6532543807440999858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/6532543807440999858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/o-ponto-final.html' title='O Ponto Final'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-8471708416076128882</id><published>2007-07-03T19:32:00.000-03:00</published><updated>2007-12-21T15:10:09.750-02:00</updated><title type='text'>Somos Frankensteins</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p style="FONT-FAMILY: arial"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:arial;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tive uma das melhores experiências da minha vida. Conheci a incrível e triste história de Frankenstein. Não o monstro verde com grandes parafusos na cabeça da minha imaginação e dos quadrinhos, mas o Frankenstein de Mary Shelley. No caso, o Frankenstein cinematográfico de Kenneth Branagh. Saí correndo e desesperada não de medo, mas atrás do livro. Nunca corri tanto atrás de um livro. Não encontrei. Sequer os vendedores da livraria sabem que existe um Frankenstein além das histórias em quadrinhos. Mas enfim, recomendo o filme. Para os não preguiçosos, leiam! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:arial;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Frankenstein (que não se chama Frankenstein e, na realidade, nem nome tem) não é monstro. É humano. Humano um pouco diferente, diga-se de passagem, mas humano. Nasceu de forma peculiar. Um homem criado por um homem a partir de muitos homens. É o que é Frankenstein. Tem todas as características de um homem recém nascido (ou recém criado). Digo isso porque, assim como os homens nascem e não aprendem nada, mas resgatam o conhecimento do “mundo das idéias”, nosso humano não tão humano herdou a inteligência de sua matéria-prima e relembra suas muitas capacidades.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:arial;" &gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;Mas sua personalidade não se resume a isso. Ao longo da trama percebi que mesmo Frankenstein é o produto do meio em que vive. Nós somos produtos do meio em que vivemos. Frankenstein recebeu características de muitos, mas não era esses muitos. Era único. E era bom. Ajudou pessoas até ser tido por monstro e retaliado. Fatores bastantes para aflorar péssimos sentimentos de qualquer um. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;Somos Frankensteins. Nascemos de muitos. Somos resultados de características infinitas. Mas, como Frankenstein, não são elas as determinantes do nosso &lt;i&gt;eu&lt;/i&gt;. Usamos aquilo que nos é dado da maneira que nos convém, da maneira que o mundo nos exige. Nas palavras do próprio, “tenho amor em mim que nem pode imaginar, e fúria, que nem pode imaginar”. Temos também. Usamos o que melhor nos couber.&lt;/p&gt;&lt;div style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:arial;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:100%;"&gt;05/07/2007 - Encontei o livro num sebo! Disponível para empréstimos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-8471708416076128882?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/8471708416076128882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=8471708416076128882&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8471708416076128882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/8471708416076128882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/07/somos-frankensteins.html' title='Somos Frankensteins'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-4099937599154493099</id><published>2007-06-27T15:39:00.001-03:00</published><updated>2007-12-21T15:04:57.971-02:00</updated><title type='text'>O Maior Amor do Mundo</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outro dia, assisti ao &lt;/span&gt;&lt;i style="FONT-FAMILY: arial"&gt;O Maior Amor do Mundo&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, de Cacá Diegues. Ouvira falar muito sobre esse filme. Tinha muita vontade de vê-lo, pois não se tratava de um qualquer, mas de um longa-metragem de Diegues com o grande José Wilker. Recomendo. Mas serei sincera. O que realmente me levou a passar a noite de sábado em casa foi o título do filme. Pensei em várias possibilidades de enredo e de personagens para &lt;/span&gt;&lt;i style="FONT-FAMILY: arial"&gt;O Maior Amor do Mundo. &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Um título enigmático, uma produção surpreendente. Ele era tudo, menos o que tinha preconcebido na minha imaginação. Viajei, fui longe demais. E descobri o poder de um título.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;Um título, um nome, tem uma força surpreendente sobre uma obra. Digo &lt;i&gt;qualquer &lt;/i&gt;obra. De filmes a pessoas. Há quem não assista a um filme ou não leia um livro por causa do título. Existem títulos nada atraentes. Mas, se você consegue passar por cima deles, verá que são obras que valem uma boa análise. Hoje mesmo vi “O Quarteto Fantástico”. Não achei nada fantástico, mas é bom, apesar do preconceito que tinha. Acho o título horrível. Mas vale a pena ver.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify" face="arial"&gt;Estendo essa força aos nomes de pessoas. Há nomes poderosos. Na faculdade, um dia nos deparamos com esse assunto. Quais de nós seriamos jornalistas de sucesso em função do nome. Sim! Nada de discussões sobre o potencial de cada um, sobre estágios, oportunidades. Mas uma discussão filosófica sobre nomes. Pensamos em quem teria um nome tão forte a ponto de concorrer com o David Coimbra* (eleito um nome digno de ser estampado na Zero Hora). &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Alguns nomes são simples, mas o conjunto é avassalador. Eu, por exemplo, não gosto do meu conjunto. Não acho avassalador, apesar de gostar do individual. Queria mesmo ter o sobrenome de minhas avós. Seria, se assim fosse, da linhagem Meirelles-Preusler. Seria, não fosse o Duarte Fuentefria.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;[Aposto que o título desse texto também remeteu os leitores a outro tema. Surpresa? Decepção? É o poder do título...]&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;*Roubo descarado da idéia da colega Giana Hahn.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-4099937599154493099?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/4099937599154493099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=4099937599154493099&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4099937599154493099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/4099937599154493099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/o-maior-amor-do-mundo.html' title='O Maior Amor do Mundo'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-777178274338027182</id><published>2007-06-22T23:08:00.001-03:00</published><updated>2007-06-25T12:24:29.033-03:00</updated><title type='text'>Estréia</title><content type='html'>&lt;div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml"&gt;&lt;p&gt;&lt;object height="350" width="425"&gt;&lt;param value="http://youtube.com/v/SRCJHPA_rb4" name="movie"&gt;&lt;embed type="application/x-shockwave-flash" src="http://youtube.com/v/SRCJHPA_rb4" height="350" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Como para tudo existe uma primeira vez, resolvi compartilhar minha primeira matéria em vídeo. Melhor dizendo, minha como colaboradora, pois devo tudo aos meus companheiros de reportagem (Francesca e Thales). Estou aprendendo com eles e entrando timidamente nesse meio mulltimídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No vídeo do programa CanalFam (do site &lt;a href="http://cyberfam.pucrs.br"&gt;Cyberfam&lt;/a&gt;) estão as duas matérias (ou melhor, uma e meia, pois com a segunda tivemos alguns problemas técnicos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso seja, definitivamente, seduzida por esse novo meio (para mim) de ser repórter, publicarei as matérias aqui. Se depender da minha grande equipe de reportagem, acho que vou longe...&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-777178274338027182?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/777178274338027182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=777178274338027182&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/777178274338027182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/777178274338027182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/estria.html' title='Estréia'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-5060892576447280681</id><published>2007-06-16T21:53:00.001-03:00</published><updated>2007-12-21T15:05:49.919-02:00</updated><title type='text'>Rotular é regredir.</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnSGOFxG76I/AAAAAAAAAAk/DqWFiWdFfUk/s1600-h/zebra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076830256577834914" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnSGOFxG76I/AAAAAAAAAAk/DqWFiWdFfUk/s200/zebra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tudo na vida é inclassificável. Quero dizer, nada pode ser deveras “rotulado”. Cada dia me deparo com mais e mais estereótipos. Com &lt;/span&gt;&lt;i style="FONT-FAMILY: arial"&gt;patricinhas, emos, loucos&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;... enfim. Rótulos de todos os tipos. Não acredito neles e não me encaixo em nenhum deles. O homem é um ser extremamente multifacetado, multiétnico, multicores, multitudo! Impossível classificar pessoas tão diferentes, por mais que pareçam iguais. Cabelos lambidos para o lado, roupas, tatuagens não definem personalidades. Pensava o contrário, até o dia em que resolvi usar &lt;/span&gt;&lt;i style="FONT-FAMILY: arial"&gt;allstar &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;sem ser &lt;/span&gt;&lt;i style="FONT-FAMILY: arial"&gt;punk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Reflito seguidamente sobre o tema: o que é ser louco? Louco é o rótulo mais conhecido, mais comum, e será sempre rótulo. Os &lt;i&gt;emos&lt;/i&gt; sairão de moda, mas os &lt;i&gt;loucos&lt;/i&gt; estarão sempre lá. Até onde vai o limite da razão? O que é ser normal? Tudo uma questão de padrões. De ideais de ser humano pré-estipulados por uma sociedade à procura da auto-aceitação.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Acho, no entanto, que essa tal auto-aceitação depende de aceitar o outro como diferente, com direito a ser diferente. Chato seria o mundo se fossemos todos iguais.&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="FONT-FAMILY: arial; TEXT-ALIGN: justify"&gt;Penso num mundo muito mais interessante, mais colorido, com a multiplicidade. O mundo povoado por pessoas sem estilo, ou melhor, sem rótulo. Estilo sim! Estilo próprio, único. Estilo &lt;i&gt;eu mesmo&lt;/i&gt;. O único rótulo que considero aceitável.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-5060892576447280681?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/5060892576447280681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=5060892576447280681&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5060892576447280681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/5060892576447280681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/rotular-regredir.html' title='Rotular é regredir.'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnSGOFxG76I/AAAAAAAAAAk/DqWFiWdFfUk/s72-c/zebra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-1116081358818670741</id><published>2007-06-16T11:19:00.000-03:00</published><updated>2007-06-16T12:39:26.929-03:00</updated><title type='text'>Academia Brasileira de quê?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnPyK1xG75I/AAAAAAAAAAc/gJQBjsJRuCU/s1600-h/ft_MauricioSousa.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnPyK1xG75I/AAAAAAAAAAc/gJQBjsJRuCU/s200/ft_MauricioSousa.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076667473022349202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sempre me perguntei a respeito da utilidade da Academia Brasileira de Letras. Sinceramente, ainda não descobri. Mas estou certa de uma coisa. Se esta tem razão de existir, não existe de forma coerente. Digo isso por causa de uma comunidade no Orkut (hoje em dia, tudo vira comunidade no Orkut), cujo título é “Maurício de Sousa para a ABL”. Pensei: caramba! Que coerência! Quer alguém melhor para representar as letras no Brasil do que esse ícone? Maurício de Sousa representa a leitura brasileira. Melhor ainda! Representa a base, a raiz da leitura no Brasil. Falo de minha parte (e me arrisco a abranger a minha geração), aprendi a ler lendo a Turma da Mônica. Aprendi a &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;gostar&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; de ler lendo a Magali, o Cascão e o Cebolinha (sem esquecer do Louco, é claro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p face="arial" style="text-align: justify; font-family: arial;" class="MsoNormal"&gt;Há quem vai me contestar, porque, afinal, “quadrinhos não é literatura”. Digo: é sim! É boa literatura. É literatura que ensina a ler e a viver. É literatura que desenvolve a criatividade. É muito mais literatura que alguns escritores que, após escreverem um livro (que sequer se ouviu falar) ganharam sua cadeira na Academia. Se fosse solicitada a listar cinco nomes de imortais da ABL, não chegaria ao terceiro. E aposto que a maioria das pessoas faria o mesmo. Não estou desmerecendo alguns deles que passaram ou ainda estão lá. Alguns são escritores maravilhosos, cuja admiração cultivo independente do número de sua cadeira.&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ouso, ainda, a incluir na minha lista de imortais acadêmicos o Ziraldo. Ziraldo também é literatura. Dia desses, me peguei lendo &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;Flicts&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;, a cor excluída que foge pra lua. É genial! Sem contar o periódico &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: arial;"&gt;O Pasquim&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;. Tenho quase todos os livros do Ziraldo em casa. Os que não tenho, perdi ou emprestei (e não mais voltaram). O que dizer então de Monteiro Lobato? Na certa, existe uma explicação pra um dos gênios da literatura recusar uma dentre as 40 cadeiras da ABL. “Mal comportado que sou, reconheço o meu lugar. O bom comportamento acadêmico lá de dentro me dá aflição”, disse em sua carta de recusa. Disse tudo.&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-1116081358818670741?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/1116081358818670741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=1116081358818670741&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1116081358818670741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/1116081358818670741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/academia-brasileira-de-qu.html' title='Academia Brasileira de quê?'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_lmtZwCYmH84/RnPyK1xG75I/AAAAAAAAAAc/gJQBjsJRuCU/s72-c/ft_MauricioSousa.gif' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-3022568325358189292</id><published>2007-06-15T16:29:00.000-03:00</published><updated>2007-06-15T19:41:48.393-03:00</updated><title type='text'>Ululante</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Adoro palavras. Palavras com significados bonitos, feios, interessantes. O único requisito é que pertençam à língua portuguesa. E que sejam palavras. Existem belas palavras. Basta perguntar a qualquer pessoa, intelectual ou não, letrada ou não, que logo uma avalanche de palavras são proferidas. Amor, amizade, afeto e, a mais pronunciada, a única, a brasileiríssima: saudade. Para mim não! Acho todas lindas, sem sombra de dúvida. Mas, se a Marília Gabriela me pedisse para dizer uma palavra, diria sem pestanejar: ULULANTE!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Não posso dizer ao certo o que significa. O Aurélio (Buarque de Hollanda, grande amigo nas horas de sufoco) diz se tratar de um adjetivo para “uivar”. Ulular é, portanto, uivar. Abstenho-me de significados. Só sei que a palavra é bonita, soa bem, sei lá!&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Depois que descobri que Nelson Rodrigues também tinha alguma admiração pela palavra dos meus amores, passei a ama-la mais ainda, e ela não mais saiu da minha cabeça. “O Óbvio Ululante” é o nome de um dos livros do mestre Nelson. Se ele gosta, também gosto, principalmente depois de ter lido suas crônicas em “A Menina sem Estrela” (expressão da qual também gosto, mas essa já é uma extensão do assunto).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Chego a pensar, então, numa relação clara (ok! Talvez não tão clara assim) com a relatividade da beleza. Beleza é, sim, relativo, e não há quem me convença do contrário. O que é bonito para mim, pode não parecer aos outros. O mesmo digo do avesso. Amor, amizade, saudade, são belas. Para minha bisavó, por exemplo, palavra bonita era "merda", a qual deveria ser nome de gente, não palavrão. Mas, perto de mim, não ouse comparar nenhuma delas à charmosa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ululante&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-3022568325358189292?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/3022568325358189292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=3022568325358189292&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3022568325358189292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/3022568325358189292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/ululante.html' title='Ululante'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3624370625310453711.post-967522628021846975</id><published>2007-06-14T12:59:00.001-03:00</published><updated>2007-06-14T19:54:41.249-03:00</updated><title type='text'>Muito além da física quântica</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Nunca compreendi a física. Sempre fui uma “zero à esquerda” em ciências exatas. Nunca pude entender como esse ser estranho e milimetricamente (hoje, nanometricamente) calculado poderia influenciar minha vida. Sempre fui regida pelas ciências humanas e, sobretudo, pelas &lt;i&gt;relações&lt;/i&gt; humanas. Mas dia desses pude comprovar, na prática, que tudo está interligado. Meus princípios emocionais estão intrinsecamente ligados aos princípios físicos, aos quais passei, a meu modo, a compreender.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Foi numa dessas Porto Alegres chuvosas, nas quais os rostos parecem um espelho do dia. Não via sorrisos. Não ouvia vozes. Mas uma voz veio falar comigo, perguntando se eu tinha uma passagem de ônibus. Um menino, cerca de quinze anos, conformado com minha resposta negativa à pergunta, puxou conversa comigo. O assunto? Os motoristas que jogavam água na calçada e a futura “tijolada” que um deles levaria como vingança. E eu, pacificadora como sempre, proferi aquele discurso de “não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você”. E assim, a conversa foi. E assim, ele me disse do desrespeito que sofria. Que para mim devia ser mais fácil, pois estudava, trabalhava. E assim, eu falei de sua possibilidade de crescimento e ele falou de sua possibilidade de estudar. Sim! Ele tinha possibilidade de estudar e utilizar aquela inteligência em projetos de vida, e não de vingança contra motoristas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Mas eis o ponto onde quero chegar: a física quântica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Muito temos ouvido falar desse outro bichinho estranho para cientistas humanos como eu. Filmes, livros, conversas e mais conversas. Moléculas do nosso corpo que interagem com moléculas externas e fazem daquilo que somos aquilo que o mundo é. E é sobre essa tal capacidade do ser humano de mudar sua vida, concretizando sua vontade por meio do pensamento, que quero falar. Não preciso acreditar e compreender esse tipo de estudo para ter certeza de uma coisa: são nossos atos que fazem o mundo. Isso vai muito além e é mais fácil de acreditar do que o fato de meu pensamento poder mudar meu futuro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O menino que vi na rua provavelmente sequer ouviu falar em física quântica. Espero que um dia ouça, depois de ouvir meus conselhos de voltar aos estudos. Mas duvido que saiba o que é uma molécula ou que tenha parado para pensar sobre o sentido da existência humana. Mas há uma coisa que ele conhece melhor do que muitas pessoas: as relações humanas. Ele certamente sabe diferenciar tratamentos pessoais. Ele seguramente também não conhece o princípio da “ação e reação”, mas sabe reagir a um ato grosseiro, a um rosto virado. E foi minha ação de conversar com ele e trata-lo como um igual que pressupôs sua reação amigável e sua mudança de opinião em relação a “tijoladas” e estudos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Assim como ele (o Wagner, como se apresentou para mim), inúmeros meninos somente reagem a atos de indiferença. Podemos não saber a dimensão de uma boa ação, de tratar seres humanos como iguais, como sabemos a dimensão de uma molécula. Mas, certamente, é muito maior do que pensa a nossa vã filosofia (ou vã ciência?). Digo novamente. Acredito nas relações humanas. Acredito nas experiências de vida e no poder de mudarmos o mundo a partir de um simples ato. E isso, me arrisco a dizer, ensina mais que a física. Quando fui embora, apertei a mão do Wagner. Ele, como reação, apertou a minha.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3624370625310453711-967522628021846975?l=sobrenuances.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobrenuances.blogspot.com/feeds/967522628021846975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3624370625310453711&amp;postID=967522628021846975&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/967522628021846975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3624370625310453711/posts/default/967522628021846975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobrenuances.blogspot.com/2007/06/muito-alm-da-fsica-quntica.html' title='Muito além da física quântica'/><author><name>Luana Duarte Fuentefria</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14190098383987199991</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry></feed>
